Industriais de mobiliário portugueses apostam na qualidade e design para abordar mercado da China

29 November 2005

Lisboa, Portugal 28 Nov – Os empresários portugueses da indústria do mobiliário vêem com bons olhos a subida dos preços dos produtos concorrentes produzidos na China porque aumenta a competitividade dos feitos em Portugal, afirmou ao macauhub o secretário-geral da associação do sector.

Rui Ramos, secretário-geral da associação portuguesa de industriais de mobiliário (APIMA), afirmou que os estudos de mercado disponíveis indicam que o preço do mobiliário, que na China é muito baixo em comparação com os países europeus, subiu entre 20 e 30 por cento nos últimos dois anos, devido à forte procura.

“Daqui a algum tempo, é provável que a diferença entre os custos de produção de Portugal e China não seja tão grande como é hoje”, o que reforça a competitividade das exportações portuguesas, graças à mais-valia do design e qualidade, acredita o responsável.

Tendo em vista analisar o mercado chinês e identificar potenciais parceiros com quem a indústria portuguesa possa iniciar relações comerciais, a APIMA realizou uma missão empresarial à China em Março deste ano com perto de 15 empresários portugueses, que incluiu uma visita à XI edição da feira Furniture China.

A China é um gigante mundial na produção de mobiliário, mas porque a sua indústria está vocacionada para a produção em série e a baixos custos, os industriais europeus acreditam que é possível conquistar lugar no mercado, com produtos de gama alta e valor acrescentado pela qualidade e design.

Actualmente, as exportações para a China são ainda residuais, mas a associação assume o objectivo inverter esta situação, apostando para isso na participação nas principais feiras de mobiliário naquele mercado.

Depois da primeira abordagem em Março deste ano, a “ofensiva” ao mercado chinês vai ser preparada ao longo do próximo ano, de modo a ser lançada em 2007, com o apoio do instituto de apoio às exportações, ICEP Portugal.

“Vamos abordar o mercado com muita calma, para entrarmos com uma imagem forte e de qualidade, e para que os nossos produtos consigam distinguir-se pela positiva”, afirma o secretário-geral da associação.

Para isso, adianta, será necessário um trabalho cauteloso de preparação da participação na feira, selecção das empresas a participar, formas de apresentação dos produtos e concepção dos materiais de comunicação.

A indústria portuguesa de mobiliário, que tem nos mercados de Espanha e França os principais destinos das suas exportações e tem vindo a abordar também o Médio Oriente e países da Europa de Leste, acredita que a experiência de internacionalização que já possui será uma vantagem.

“Há grandes oportunidades” no mercado chinês, afirma Rui Ramos, mas “vamos ter de trabalhar para mostrar o que é português, aquilo que de maior qualidade temos para oferecer”.

“A China é um mercado de muito grande dimensão. Qualquer por cento representa uma enorme quantidade”, para as exportações portuguesas, adiantou o mesmo responsável. (macauhub)

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