Embaixador de Angola em Pequim realça papel do Fórum Macau

5 December 2005

Pequim, China, 05 Dez – O Fórum para a Cooperação Económica e Comercial entre a China e os Países de Língua Portuguesa (Macau) vai de certeza promover o reforço da cooperação económica e comercial sino-angolana, afirmou em Pequim o embaixador de Angola.

Falando à revista chinesa “Empresário chinês”, em entrevista conduzida por Wang Zhigen, o embaixador João Manuel Bernardo adiantou que o Fórum vai “abrir um novo caminho que irá conduzir a uma cooperação mais estável em maior número de sectores entre a China e Angola”.

“A República Popular da China é um parceiro importante de Angola no que respeita às relações económicas e comerciais”, afirmou o embaixador para quem o aumento do comércio bilateral é uma prova da amizade existente entre os dois países.

Segundo o embaixador, em 2004 Angola exportou para a China bens no valor de 4,2 mil milhões de dólares, o que fez com que o seu país fosse o segundo parceiro comercial da China no continente africano.

De acordo com dados oficiais do Ministério do Comércio da China, Angola apresenta nos primeiros nove meses do ano um saldo positivo de 4,28 mil milhões de dólares na sua balança comercial bilateral, contra 2,68 mil milhões de dólares em período homólogo de 2004, colocando Angola no 7º lugar dos países que mais beneficiam do comércio com a China.

A lista oficial do que o Ministério chama de principais 10 fontes de défice comercial começa com Taiwan, que apresenta um excedente de 41,05 mil milhões de dólares e termina no Brasil que arrecada 3,52 mil milhões de dólares no comércio com a China.

Para o embaixador, os cidadãos chineses e as empresas chinesas, casos da China Jiangsu Jinchao International, China Overseas Engineering e China Road and Bridge, têm desempenhado e vão de certeza continuar a desempenhar um trabalho fora de série nos campos das comunicações, redes eléctricas e caminhos-de-ferro, nomeadamente.

Referindo que a actual lei angolana dá garantias tanto aos investidores nacionais como as internacionais, o embaixador disse que todos quantos quiserem investir em Angola são “bem vindos”.

“Angola dá as boas vindas a todos as empresas chinesas que queiram investir em Angola”, disse o embaixador para acrescentar que depois de 30 anos de guerra civil, está tudo por fazer, nomeadamente construção e renovação de estradas, de pontes, de caminhos-de-ferro, de portos e aeroportos.

O embaixador de Angola em Pequim apelou igualmente ao investimento em pequenas e médias indústrias e projectos agrícolas que “dão emprego ajudando assim a eliminar a fome e a pobreza no meu país”.

Além dos diamantes e do petróleo por que é conhecida, Angola dispõe de muitas outras reservas minerais tais como ouro, cobre, chumbo ou urânio. O país está a produzir mais de 1 milhão de barris/dia e calcula-se que dentro de cinco anos será o maior produtor de petróleo de toda a África sub-saariana.

Angola dispõe de condições privilegiadas para a produção agrícola pois tem muitos ricos e a temperatura média é amena, entre 19 e 26 graus centígrados. Os principais produtos agrícolas são a cana-de-açúcar, o algodão e o café através do qual o país é conhecido pois em 1970 era o quarto maior produtor mundial. (macauhub)

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