Alta da procura interna e investimento sustentam crescimento de 6,4% do PIB de Cabo Verde em 2005

7 December 2005

Cidade da Praia, Cabo Verde, 07 Dez – A economia de Cabo Verde deverá crescer até 6,4 por cento em 2005, face ao ano passado, graças à alta da procura interna e do investimento, prevê o banco central cabo-verdiano no seu último relatório divulgado esta semana.

No relatório ao governo sobre a actividade económica até final do terceiro trimestre, o Banco de Cabo Verde (BCV) considera que o ritmo de expansão da economia no período foi “assinalável”, e revê em alta a previsão para este ano do consumo privado, o principal componente do Produto Interno Bruto.

Tendo em conta os dados disponíveis até Setembro, o Banco prevê que o consumo privado cresça 6,3 por cento este ano, acima dos 5,7 por cento anteriormente previstos.

Pelo contrário, o consumo público é revisto em baixa, de 5,4 por cento para 3,2 por cento, apesar da significativa expansão registada até Setembro, relacionada com a subida de despesas com pessoal e de aquisição de bens e serviços.

Segundo dados do Ministério das Finanças, o investimento público subiu 56,3 por cento até Setembro, em paralelo à alta do investimento privado, com o sector da construção em alta.

Outro indicador do aumento do investimento privado é o desempenho positivo das importações de materiais de transporte (mais 42,8 por cento), bens de construção (mais 21,9 por cento) e de equipamentos (mais 4,5 por cento).

“O dinamismo manifestado pelo investimento quer público quer privado, fez, no entanto, agravar o défice da balança comercial, que foi em parte compensado pelo aumento ocorrido nas exportações líquidas de serviços”, refere a instituição financeira.

A taxa de crescimento das exportações de serviços acelerou de 25 por cento no primeiro trimestre para 48 por cento no terceiro, graças ao dinamismo dos transportes aéreos e turismo, que beneficiaram do maior número de turistas italianos, portugueses e alemães e da abertura de novas rotas aéreas.

No terceiro trimestre, o défice corrente caiu de 2,4 por cento do PIB para um por cento, ao contrário do défice comercial, que se agravou sobretudo devido ao aumento do valor das importações de combustíveis.

As exportações de Cabo Verde, não obstante a sua fraca expressão, aumentaram 50 por cento no período, enquanto que o valor das importações cresceu quase 10 por cento.

“Para os últimos meses do ano, as expectativas apontam para um agravamento da situação externa, particularmente da balança comercial, prevendo-se um aumento suplementar das importações de bens e serviços de fretes de importação, num contexto de preços de combustíveis globalmente elevados”, refere o BCV.

Espera-se, contudo, que as exportações de serviços venham a compensar o agravamento do défice comercial, com o sector do turismo a beneficiar da abertura, em Outubro, do maior empreendimento turístico do país, e o impacto da entrada em funcionamento do novo Aeroporto da Praia, com mais voos internacionais.

Devido à subida do preço dos combustíveis, e também da habitação, a inflação manteve a tendência menos deflacionária, com a taxa média anual a atingir 0,02 por cento negativos em Setembro. (macauhub)

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