Fitch Ratings espera continuação da alta do crescimento económico e investimento em Cabo Verde

2 January 2006

Cidade da Praia, Cabo Verde, 02 Jan. – O crescimento económico e o investimento estrangeiro vão continuar em alta a médio prazo em Cabo Verde, contribuindo para a redução do endividamento externo, estima a consultora financeira Fitch Ratings.

Em relatório recente, intitulado “O Sol Brilha no Arquipélago, a consultora mantém o “rating” de crédito de Cabo Verde em B+, ao nível de países sul-americanos como a Venezuela e o Uruguai, e acima de Moçambique e mesmo do Brasil.

O “forte crescimento económico” de 5 a 6 por cento deverá manter-se, a par do investimento estrangeiro, “o que deverá levar à acumulação de reservas internacionais e a uma redução do endividamento público líquido”.

A economia do arquipélago “desfrutou em 2005 de um crescimento económico melhor do que o esperado, alimentado por receitas significativamente maiores da indústria do turismo, remessas dos emigrantes e um investimento directo estrangeiro crescente”, afirma o relatório, assinado pelo analista Eric Paget-Blanc.

A boa evolução da economia é atribuída às reformas estruturais levadas a cabo pelo governo, nomeadamente privatizações e liberalização de alguns sectores, à estabilidade cambial – o escudo cabo-verdiano está indexado ao Euro – e à maior eficiência fiscal.

“O crescimento robusto, a par das bem sucedidas reformas fiscais – em particular a implementação do sistema de IVA – levaram a um desempenho fiscal excelente nos últimos anos”, que “contribui para a redução do défice público até 1,5 por cento do Produto Interno Bruto”, afirma a Fitch.

“O fluxo de capital estrangeiro ajudou Cabo Verde, que sofre de um défice comercial estruturalmente elevado devido à dependência de importações de bens alimentares e energia, a recompor as suas reservas de moeda estrangeira nos últimos dois anos”, refere.

Para a Fitch, as principais forças da economia cabo-verdiana serão a estabilidade política, o sector dos serviços, o sistema cambial apoiado por Portugal e os progressos nas privatizações e liberalizações.

As principais fraquezas a influírem no nível de crédito serão o nível elevado de endividamento público externo, o défice comercial estruturalmente elevado e dependência de importações, a par do peso das remessas de emigrantes e ajuda externa.

A Fitch prevê que as importações ascendam a 468 milhões de dólares em 2007, para exportações de 64 milhões, elevando o défice da balança comercial para 404 milhões de euros, mais do dobro do registado em 2001. (macauhub)

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