Empresas chinesas têm de realizar mais fusões e aquisições no estrangeiro

16 January 2006

Xangai, China, 16 Jan – As empresas chinesas têm de capitalizar através de fusões e aquisições (F&A) no estrangeiro, de acordo com um relatório do Boston Consulting Group (BCG), uma empresa de consultadoria à escala mundial.

Jim Hemerling, que assina o relatório, afirma que adquirir um concorrente estrangeiro pode ser uma forma rápida de se chegar aos mercados internacionais e de se obter saber tecnológico mas adianta que nunca é um processo fácil.

E acrescenta que embora valor tenha sido criado pela F&A, os gestores chineses não têm muitas vezes a capacidade para integrar a empresa adquirida e obter sinergias.

Holger Michaelis, do escritório de Pequim da BCG, escreve que nas ocasiões em que era necessário proceder à integração das operações, valor foi muitas vezes destruído.

Para Michaelis tal deve-se ao facto de os investidores apreciarem que empresas chinesas consigam obter oportunidades fora da China mas não acreditarem que a gestão tenha capacidade para fundir as operações.

Por isso, adianta, as F&A em que o comprador chinês deixa parte ou todo o corpo de gestão original são aquelas em que se cria mais valor.

De 2001 a 2005, a China realizou 130 negócios de F&A no estrangeiro, em que os sectores mais importantes foram os dos minerais, recursos naturais e indústria das comunicações.

No entanto, tendo em atenção o tamanho da sua economia, a China é muito menos activa em F&A do que outras economias em rápido desenvolvimento tais como a Índia, disse Hemerling.

Além disso, prosseguiu Hemerling, se olharmos aos factores que fomentam as F&A no estrangeiro, vemos que eles têm mais tendência para aumentar do que diminuir.

Para que as empresas chinesas consigam capitalizar estas oportunidades, precisam de uma estratégia de globalização clara, acompanhamento profissional de F&A e capacidade de integração bem como capacidade de gestão em mercados estrangeiros e muito poucas empresas chinesas dispõem das ferramentas necessárias para integrar com sucesso um negócio adquirido, afirma a concluir o quadro da BCG.

Não obstante a retirada da proposta da Haier para adquirir a norte-americana Maytag e do falhanço da CNOOC – China National Offshore Oil Corp. em comprar a Unocal Corp, a BCG é da opinião que os chineses estão de novo em jogo e uma prova é o facto de a CNOOC ir pagar 2,3 mil milhões de dólares por uma parte do capital de um campo de petróleo e gás da Nigéria. (macauhub)

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