Angola já usou mil milhões de dólares da linha de crédito da China para reconstrução

18 January 2006

Lisboa, Portugal, 17 Jan – Angola já usou mil milhões de dólares da linha de crédito concedida pela China para projectos de reconstrução, metade do total previsto, e pode esgotá-la até final de 2006, de acordo com o banco português BPI.

No último relatório sobre Angola, o BPI estima que a maior fatia do total gasto foi aplicada na reconstrução de estradas (240 milhões de euros) e construção do aeroporto de Luanda (Viana), com fatias também importantes na aquisição de camiões e alfaias agrícolas (100 milhões de euros) e construção de escolas, hospitais e mercados.

O acordo entre Angola e a China prevê a possibilidade de alargamento da linha de crédito para quatro mil milhões de euros, e extensão do seu uso por mais dois anos.

Para o BPI, a linha de crédito inicial “deverá estar totalmente aplicada até final de 2006”.

“Até final de 2005, cerca de mil milhões de dólares já haviam sido destinados para vários projectos, embora o processo tenha sido mais lento do que o esperado devido a dificuldades burocráticas associadas à novidade de atribuição deste tipo de auxílio”, refere o relatório divulgado em Lisboa.

O BPI destaca ainda a grande actividade que as empresas chinesas têm vindo a registar no país africano, graças ao financiamento disponível.

“Na restauração de pontes e das estradas, as empresas chinesas têm desempenhado um papel preponderante, na medida em que garantem o seu financiamento mediante a adjudicação da obra, comprometendo-se a subcontratar a empresas privadas locais 30 por cento do valor da obra”, adianta.

Além dos referidos projectos, o fundo chinês vai apoiar a reabilitação do Caminho-de-Ferro de Benguela, marcada para o início de 2006 depois de ter participado na reconstrução da linha ferroviária que liga Namibe (antigo) Moçamedes a Menongue, na província do Kuando Kubango.

Angola tem ainda à disposição outras duas linhas de crédito, com o valor de 500 milhões de dólares cada, disponibilizadas pela Rússia e Brasil, que estão a financiar, entre outros, o projecto da Barragem de Capanda no norte de Angola.

A construção da refinaria do Lobito (Sonaref) está a ser financiada com fundos de empresas petrolíferas estrangeiras e a reconstrução de estradas está a beneficiar sobretudo de verbas colocadas à disposição por Portugal e Alemanha.

No total, o projecto de infra-estruturas do governo angolano prevê um investimento de 1,9 mil milhões de dólares, para 2005 e 2006.

No mesmo período, o investimento para fomento da produção interna, sem contar com a produção e exploração de petróleo, ascende a 2,5 mil milhões de dólares. (macauhub)

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