Aposta da China na África de língua portuguesa vai reforçar trocas comerciais – McKinsey

24 January 2006

Lisboa, Portugal, 24 Jan – A política da China de apoio à reconstrução na África lusófona vai continuar a atrair empresas chinesas para países como Angola e Moçambique, reforçando as trocas comerciais bilaterais, afirmou ao Macauhub o director da McKinsey na China.

Para Gordon Orr, que falava segunda-feira em Lisboa à margem de uma conferência sobre o investimento na China, o reforço das relações entre o gigante asiático e a África de expressão portuguesa “é uma tendência que vai continuar, não só em Angola, mas também na Nigéria, no Sudão e outros países”.

“A China quer ter uma posição de relevo no acesso aos recursos minerais destes países, para sustentar o crescimento da sua indústria, e para isso precisa ganhar posição e manter laços económicos e culturais”, defendeu em declarações ao Macauhub.

Este reforço do relacionamento “vai continuar a criar oportunidades para as empresas chinesas, sobretudo as ligadas à construção e à indústria extractiva. Cada vez mais poderão estabelecer-se e crescer, ganhando dimensão mundial”, afirmou.

Esta expansão, sobretudo na construção “é natural, porque nos últimos anos construiu-se quase tanto na China como no resto do mundo”, conferindo às empresas “escala, capital e experiência” para ganharem posições no estrangeiro.

Para os países africanos, adiantou, esta relação vai trazer “desenvolvimento económico e infra-estruturas de qualidade”.

Em relação ao acesso de empresas portuguesas à China, tema da conferência de hoje organizada pela Câmara de Comércio Luso-Chinesa, Gordon Orr afirmou que “as oportunidades são imensas” no mercado, mas que “há que ser agressivo e conhecer o mercado”.

As principais oportunidades para as empresas portuguesas estão nos bens de consumo, têxteis e vestuário de marca, vinhos e componentes electrónicos, defendeu.

Para Orr, as pequenas e médias empresas “podem ter aspirações” na China, mas “têm de ter uma mentalidade forte e criar produtos diferentes”, adaptados ao mercado local.

Presente no evento, o embaixador da China em Lisboa, Ma Enhan, manifestou o empenho da missão diplomática chinesa em “acolher as empresas que pretendam investir na China, especialmente as pequenas e médias”.

Lembrou ainda a importância de Macau como “importante plataforma de relacionamento de Portugal e África lusófona” com a China. (macauhub)

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