Atribuição de licenças de exploração de petróleo em Timor entra na recta final

1 February 2006

Díli, Timor-Leste, 01 Fev – A exploração de petróleo em Timor-Leste entrou já na recta final e até meados de Março serão ser entregues as propostas às onze áreas de exploração lançadas a concurso pelo Governo, consideradas de grande potencial.

A sondagem sísmica da zona de perto de 30 mil quilómetros quadrados que será posta a concurso, realizada por uma “joint-venture” norueguesa e chinesa (GGC – BGP Petro China) revelou no início de 2005 a existência de mais de 20 pontos potenciais de exploração no “off-shore” timorense, entre a costa do país e a zona de desenvolvimento conjunto com a Austrália (JPDA).

Os resultados foram considerados pelas autoridades timorenses como um “grande sucesso”, e o relatório refere que as provas da existência de um sistema petrolífero activo na área são “fortes”.

O potencial da zona envolvente do “offhore” timorense está a criar grandes expectativas, mas os dados existentes são poucos, e nos últimos 30 anos praticamente não se registaram actividades de exploração na costa timorense.

No final do ano passado, as autoridades timorenses fizeram quatro apresentações internacionais do concurso – Singapura, Londres, Calgary e Houston – em Setembro, e em Novembro realizaram em Díli um “workshop” com potenciais investidores.

A entrega dos documentos finais de pré-qualificação está prevista para meados de Fevereiro, e a assinatura dos contratos de exploração com os vencedores deverá decorrer a partir de Maio, dois meses depois da entrega final das propostas.

A avaliação das propostas, segundo o caderno de encargos será baseada no programa de trabalhos garantido no primeiro período de exploração.

A Comissão de Avaliação das Propostas irá utilizar uma matriz de pontuação do plano de actividades das empresas candidatas.

Apenas serão consideradas propostas de empresas cujo capital social seja superior a 20 milhões de dólares, e os candidatos deverão apresentar propostas separadas para cada uma das áreas de exploração.

As onze áreas de exploração a concessionar estão junto da JPDA, onde se situam duas descobertas de nível mundial – Bayu-Undan, já em produção, e Greater Sunrise/Troubadour, ainda em projecto.

As reservas de petróleo e gás natural destas duas áreas estão avaliadas em 30 mil milhões de dólares (25 mil milhões de euros), e as receitas de exploração serão partilhadas entre Timor e a Austrália.

Com a exploração da zona de desenvolvimento conjunto, e se a plataforma Greater Sunrise inicar produção até 2016, o mais jovem país do mundo deverá encaixar perto de 18,7 mil milhões de dólares, mediante o acordo assinado entre os dois países a 12 de Janeiro, noticiava recentemente o The Australian.

As receitas petrolíferas da exploração de petróleo reverterão para um Fundo Petrolífero, com o objectivo de controlar a despesa pública e inflação, amortecer o impacto de eventuais flutuações de preços e assegurar uma gestão mais rigorosa das verbas.

Em Outubro, o valor do fundo estava em 330 milhões de dólares, e espera-se que cresça a um ritmo de perto de dois milhões de dólares por dia nos próximos anos. (macauhub)

MACAUHUB FRENCH