Economia brasileira deverá crescer 3,4 por cento em 2006

6 February 2006

São Paulo, Brasil, 06 Fev – A economia brasileira deverá registar uma expansão de 3,46 por cento em 2006, segundo projecção de um estudo da Febraban, entidade que representa o sector bancário no Brasil.

O estudo da Federação Brasileira de Bancos (Febraban) inclui as projecções de 51 instituições bancárias sobre o desempenho de 30 variáveis económicas em 2006.

“O cenário para este ano apresenta-se optimista. Os estímulos para esse crescimento estão dados pela indústria que tem uma projecção de expansão de 3,99 por cento”, refere o estudo.

A projecção dos analistas indica ainda que a economia brasileira deve ter registado um crescimento de 2,4 por cento no ano passado.

O resultado oficial do desempenho da economia brasileira em 2005 ainda não foi divulgado.

Em 2004, a economia brasileira registou um crescimento de 4,9 por cento, um dos melhores resultados dos últimos anos.

Os outros factores que também devem impulsionar a economia brasileira em 2006 são o aumento das exportações e a redução das taxas básicas de juros.

As projecções de juros são de redução, com uma taxa básica em 15,23 por cento ao fim de 2006 e de 13,87 por cento em Dezembro de 2007.

O estudo indica igualmente que o investimento directo estrangeiro deverá ascender a 14,9 mil milhões de dólares este ano, valor superior ao de 2005.

A projecção da Febraban inclui um aumento do saldo positivo da balança comercial em 2006 para 36,13 mil milhões de dólares, com exportações de 122,17 mil milhões de dólares e importações de 86,44 mil milhões de dólares.

No ano passado, o saldo positivo da balança comercial brasileira aumentou 33 por cento, face a 2004, para 44,8 mil milhões de dólares.

Trata-se do maior valor de sempre da história do comércio brasileiro, resultado de um total de exportações de 118,3 mil milhões de dólares e de importações de 73,5 mil milhões de dólares.

“O ano de 2006 é um ano eleitoral. Uma comparação com 2002, mostra que então o cenário externo se apresentava atribulado em função do ‘default’ da Argentina, do atentado às Torres Gémeas e da maior aversão ao risco causada pelos escândalos contáveis”, refere o texto.

“A expectativa para 2006, entretanto, é de um crescimento da economia e do comércio mundial, taxas de juros americanas estabilizadas num patamar de 4 por cento, preços do petróleo estáveis e liquidez abundante”.

O estudo avalia que as eleições presidenciais brasileiras, que decorrerão em Outubro, “serão mais focadas em factores técnicos que emocionais”.

“Será uma oportunidade para debater rumos, analisar alternativas e escolher uma rota de crescimento compatível com o potencial do Brasil”, salienta o texto.

A projecção de aumento do Produto Interno Bruto (PIB) em 2007 feita pelo estudo da Febraben é “ligeiramente superior ao de 2006”.

“É um avanço. Mas é pouco. O Brasil tem condições de crescer a taxas maiores. Um crescimento a taxas mais elevadas implica numa estratégia económica que esteja fundamentada em premissas sólidas”, refere o texto.

“As combinações das políticas monetária, fiscal, cambial e de renda devem ser consistentes ao longo do tempo, com destaque para a questão fiscal, a qual ressalta a necessidade de uma reforma constitucional que permita uma melhor composição de receitas e despesas do governo”.

Na semana passada, uma sondagem divulgada pela Confederação Nacional da Indústria (CNI), entidade que representa o sector no Brasil, indicou um que haverá um crescimento “lento e gradual” em 2006.

Um dos principais entraves ao crescimento da economia brasileira, segundo a sondagem, são as taxas de juros no Brasil.

Actualmente, as taxas de juros básicas da economia brasileira está em 17,25 por cento ao ano – uma das mais altas do mundo.

Cerca de 40 por cento das pequenas e médias empresas e 48 por cento das grandes empresas informaram que os juros altos são o principal obstáculo para o crescimento da indústria.

O estudo da CNI revela, entretanto, que os empresários brasileiros planeiam manter os actuais níveis de emprego na indústria, sem despedimentos nem novas contratações em 2006.(macauhub)

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