Agência chinesa vai financiar ampliação de central térmica no Brasil

9 February 2006

São Paulo, Brasil, 09 Fev – A China International Trust and Investment Corporation (Citic), agência estatal para investimentos no estrangeiro, vai financiar a ampliação de uma central térmica, na região Sul do Brasil, foi terça-feira divulgado em São Paulo.

A Citic vai financiar 90 por cento da ampliação da central Presidente Médici, localizada na cidade de Candiota, no Estado do Rio Grande do Sul, cerca de 256 milhões de dólares.

A estatal brasileira CGTEE, responsável pelo desenvolvimento de centrais térmicas, vai financiar os 10 por cento restantes do projecto, cerca de 29 milhões de dólares.

O financiamento foi resultado da visita que o presidente da China, Hu Jintao, realizou ao Brasil, em Novembro de 2004.

A central de Candiota 3 terá uma capacidade de produção de 350 megawatts de energia, quando estiver concluída, a partir de 2008.

Fontes do Governo do Estado do Rio Grande do Sul avançaram, entretanto, que a Citic já manifestou interesse em financiar a construção de outras duas centrais, Seival e CTSul, igualmente de 350 MW cada uma.

A central Presidente Médici será abastecida pelo carvão extraído no Rio Grande do Sul, estado que detém 80 por cento das reservas brasileiras minerais.

No ano passado, três comitivas chinesas visitaram o Rio Grande do Sul para avaliar os investimentos na central de Candiota.

Em uma delas, participaram o vice-director do grupo Citic, Tao Yang, e o superintendente do Banco de Desenvolvimento da China, Wang Jian Jun.

Em Dezembro de 2005, a estatal brasileira do sector de energia eléctrica, Eletronorte, e a Citic assinaram, em Brasília, um memorando de entendimento para a ampliação de outras duas centrals térmicas.

Uma delas está localizada em Manaus, capital do Estado do Amazonas, e a segunda em Macapá, capital do Estado do Amapá, ambas na região Norte do Brasil, onde está a floresta amazónica.

Os estudos estão a ser feitos pelas equipas técnicas da Eletronorte e da Citic.

Em Abril de 2004, o presidente da Citic, Wang Jun, foi recebido pelo presidente brasileiro Luiz Inácio Lula da Silva e por diversos ministros e dirigentes de empresas estatais, em Brasília.

Em declarações à imprensa brasileira à época, Wang Jun salientou que as economias brasileira e chinesa “são complementares” e que a China “busca uma aproximação estratégica e duradoura” com o Brasil.

O executivo avançou igualmente que a Citic havia aprovado uma verba de três mil milhões de dólares para investimentos em projectos de infra-estruturas no Brasil.

Entre os projectos estavam exploração de petróleo, em conjunto com a estatal brasileira Petrobras, e a construção de uma saída através de caminhos de ferro do Brasil para o oceano Pacífico.

A ligação reduziria o custo da exportação de soja e de minério de ferro, os principais produtos brasileiros exportados para a China.

Actualmente, a Citic controla alguns dos maiores bancos da China, possui 44 subsidiárias, e detém cerca de 100 mil milhões de dólares em activos.

A Citic entrou no Brasil a convite da Brasilinvest, o primeiro grupo brasileiro a instalar-se na China, em 1981. (macauhub)

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