Navio chinês chega a Angola com material para recuperar os Caminhos-de-Ferro de Benguela

14 February 2006

Lobito, Angola, 14 Fev – Um navio com 30 mil toneladas de material diverso proveniente da China e destinado à reconstrução dos Caminhos-de-Ferro de Benguela (CFB) chegou segunda-feira ao Porto do Lobito (Benguela), anunciou hoje o responsável da empresa chinesa que vai recuperar a linha férrea.

O Caminho-de-Ferro de Benguela (CFB), uma via ferroviária que atravessa o território angolano desde a costa atlântica à fronteira leste, deverá estar integralmente reabilitado em Agosto de 2007, contribuíndo para o desenvolvimento desta região da África Austral.

Os Caminhos-de-Ferro de Benguela compreendem uma extensão de linha férrea de 1.304 quilómetros entre Lobito (Benguela) e Luau (Moxico) na zona Leste de Angola.

A reabilitação da linha ferroviária, orçada em mais de 300 milhões de dólares, cujas obras estão a cargo de um consórcio chinês, deverá ficar concluida em 20 meses.

No navio que atracou no Lobito chegam carris, travessas e outros materais necessários à recuperação da linha.

O director geral do Porto do Lobito, José Carlos Gomes, afirmou que a sua empresa vai trabalhar vinte e quatro horas ao dia, por forma a corresponder às exigências de reconstrução dos CFB.

As autoridades angolanas estimam que o CFB venha a ter em circulação cerca de meia centena de composições por dia, a uma velocidade média de 80 quilómetros por hora, o que permitirá transportar anualmente quatro milhões de passageiros e vinte milhões de toneladas de mercadorias.

O Caminho-de-Ferro de Benguela, que foi um dos principais factores de desenvolvimento de Angola, tem uma extensão total de 1.303 quilómetros, do Lobito (Benguela) ao Luau (Moxico), mas ficou praticamente desactivado desde a independência do país, em 1975.

A falta de segurança devido ao conflito militar e o perigo das minas não permitiram que os vários projectos de reabilitação da linha lançados nos últimos anos fossem concretizados.

A excepção era um pequeno troço, na parte inicial da linha, entre Lobito e Benguela, junto à costa atlântica, que permitia o transporte de pessoas e carga entre as duas principais cidades da província de Benguela.

Depois do fim do conflito armado, as autoridades voltaram a investir na reabilitação do CFB, que tem actualmente em exploração um troço de 190 quilómetros entre Lobito e Cubal, localidade do interior da província de Benguela, e outro, com 34 quilómetros, desde o Huambo até à Caala, no planalto central angolano.

O Caminho-de-Ferro de Benguela teve origem numa lei do governo português, datada de Agosto de 1899, que autorizava a construção de uma linha ferroviária entre a costa atlântica de Angola e a fronteira leste do país, atravessando todo o território angolano.

A inauguração, ocorrida a 10 de Julho de 1929, permitiu que a cidade de Benguela, na costa atlântica de Angola, ficasse a 382 quilómetros de distância do Huambo, a 584 quilómetros do Cuito, capital da província do Bié , e a 992 quilómetros de Luena, capital provincial do Moxico. (macauhub)

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