Investimento estrangeiro em Moçambique aumentou 40 milhões de dólares em 2005

9 March 2006

Maputo, Moçambique, 09 Mar – O investimento directo estrangeiro em Moçambique aumentou 40 milhões de dólares em 2005, em relação ao ano anterior, com a China a colocar-se, pela primeira vez, entre os 10 maiores investidores no país, apurou o macauhub junto do governo.

De acordo com números relativos ao investimento em 2005, mantém-se o padrão dos anteriores anos – na maioria, são projectos sul-africanos, com valores inferiores a um milhão de dólares, aplicados no turismo e na agricultura em regiões do centro e Sul de Moçambique.

Segundo dados divulgados pelo Centro de Promoção de Investimentos de Moçambique (CPI), o capital estrangeiro investido no país ascendeu, em 2005, a 164,5 milhões de dólares, contra 124,1 milhões em 2004, tendo gerado 15.113 postos de trabalho, mais 1891 empregos que no ano anterior.

O sector do turismo e da hotelaria foi o principal destino do investimento, com projectos avaliados em 83,9 milhões de dólares, seguido dos sectores da agricultura (41,4 milhões de dólares) e da indústria (16,5 milhões de dólares).

Confirmando uma tendência registada em anos anteriores, o investimento estrangeiro beneficiou províncias mais desenvolvidas do país, como Maputo e Sofala, embora esta última tenha perdido cerca de 10 milhões de dólares em projectos, relativamente a 2004, sendo ultrapassada por Gaza.

A província de Maputo, que nos dados coligidos pelo CPI inclui a cidade capital com o mesmo nome, acolheu 78,6 milhões de dólares (mais 17 milhões de dólares que no ano anterior), e a vizinha região de Gaza recebeu investimentos na ordem de 42,2 milhões de dólares.

A lista dos países que mais investiram continua a ser liderada pela África do Sul, com 93,7 milhões de dólares, quase o dobro do capital aplicado em 2004, seguida do Reino Unido (27,8 milhões de dólares), Zimbabué (9,1), Portugal (7,3) e Suécia (6,0).

Pela primeira vez, a China chegou ao grupo dos 10 países que mais investiram em Moçambique, situando-se em sexto lugar graças a três projectos no valor de 5,5 milhões de dólares, muito acima dos 222 mil dólares aplicados em 2004 quando se encontrava na 25ª posição do “ranking” dos investidores.

Com este montante, a China ultrapassou países como os Estados Unidos (9º lugar), Espanha (10º) e Brasil (20º), habituais e fortes investidores em Moçambique.

O investimento chinês, aplicado em projectos agrícola, industrial e de pescas, todos na província de Sofala, vai criar 315 postos de trabalho e, num dos casos, segue a nova tendência de aposta na aquacultura, sobretudo nas províncias costeiras de Sofala, Zambézia e Cabo Delgado.

A aquacultura, podendo desenvolver-se ao longo dos três mil quilómetros do costa moçambicana, está centrada naquelas regiões, e em torno da cultura de camarão, tendo gerado, em 2005, dois outros investimentos sul-africano e português, num total de meio milhão de dólares.

Também o Zimbabué registou um aumento no seu investimento em 2005, atingindo 9,1 milhões de dólares, o dobro do registado no ano anterior, graças a projectos desenvolvidos por agricultores daquele país sobretudo, na província moçambicana de Manica, na fronteira com o Zimbabué, onde se fixaram. (macauhub)

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