Mais de um terço das estradas moçambicanas construídas por empresas chinesas, refere estudo do FMI

13 March 2006

Pequim, China, 13 Mar – A construção de mais de um terço das estradas em Moçambique está a cargo de empresas chinesas, num total de 600 quilómetros, afirma Emmy Bosten, do Fundo Monetário Internacional (FMI) em Moçambique, num estudo a que a Macauhub teve hoje acesso.

“A embaixada chinesa em Moçambique informa activamente as construtoras chinesas sobre os próximos concursos públicos internacionais para a construção de estradas, e o resultado é que mais de um terço das estradas actualmente em construção no país são feitas por empresas chinesas,” refere Emmy Bosten num ensaio sobre as construtoras chinesas em Moçambique,
apresentado recentemente em S. Petersburgo, Rússia.

O estudo, com o título “O Envolvimento Chinês na Indústria de Construção no Sul de África: o Caso de Moçambique”, refere ainda que as empresas chinesas têm participado desde 2003 em concursos públicos internacionais e, segundo a Administração de Estradas (ANE) de Moçambique, oferecem preços mais baixos do que as empresas europeias e sul-africanas, realizando um bom serviço.

A ANE anunciou em Janeiro que planeia investir 1,14 mil milhões de dólares na segurança rodoviária, manutenção e reabilitação das estradas do país até 2011.

“De acordo com as autoridades Moçambicanas, as construtoras chinesas realizam trabalhos de boa qualidade geral, dentro dos prazos contratados e a preços muito competitivos, que podem ser 25 por cento ou 50 por cento mais baratos,” refere o estudo, apresentado em Janeiro durante uma conferência sobre “Instituições e Desenvolvimento: no Cruzamento da Mudança Global. ”

Emmy Bosten adianta que, apesar das empresas chinesas não participarem “ainda” nos mega-projectos de construção, devido a restrições à entrada nos concursos, elas estão a ganhar cada vez mais dinamismo nos segmentos de mercado mais especializados.

“Na construção de infra-estruturas de água e saneamento básico, as empresas chinesas têm também expandido a sua participação através dos concursos públicos internacionais,” considera a autora, que dá como exemplos “a reabilitação dos sistemas de abastecimento das maiores capitais de província, nomeadamente Maputo e Beira e Quelimane, no valor de 30 milhões e 15 milhões

de dólares norte-americanos, respectivamente.”

Em Moçambique, a construtora China Geo Engineering ganhou em Outubro o concurso para a construção da rede de abastecimento de água de Xai-Xai e Chokwe e a China Henan International ganhou o concurso para o abastecimento de água em Inhambane e Maxixe.

Bosten diz ainda que, no sector imobiliário, as empresas chinesas têm-se limitado a construir projectos financiados pelo governo chinês, como o Ministério dos Negócios Estrangeiros (no valor de 12 milhões de dólares norte-americanos) ou o Centro de Conferências Joaquim Chissano (cinco milhões de dólares), mas que a situação está prestes a mudar.

“As infra-estruturas financiadas pela cooperação chinesa são normalmente a porta de entrada no país para as empresas chinesas, seguindo-se a participação em concursos públicos internacionais e, uma vez estabelecidas localmente, essas mesmas empresas tornam-se investidoras no mercado imobiliário,” refere.

O estudo conclui que as construtoras chinesas no mercado moçambicano são, na sua maioria, grandes empresas com representação noutros países africanos como a Tanzânia e a Zâmbia, dando como exemplo a AFFEC (Anhui Foreign Construction Group), a MCC (China Metallurgical Construction Group) ou a Sinohydro.

Emmy Bosten apresenta diversos factores específicos que contribuem para que as empresas chinesas ofereçam preços competitivos, como preço da mão-de-obra chinesa e dos materiais de construção, todos importados da China, apesar de avisar que “alguns estes factores são rumores no mercado e deve ser confirmados.”

“Os locais de construção são também muito organizados, com maior controlo sobre os trabalhadores e logo menos roubos, o que é também um custo importante nos outros projectos de construção. Para além disso, não há subcontratação de fornecedores moçambicanos ou regionais e da concepção à decoração após a construção, todos os bens e serviços são fornecidos, directa ou indirectamente por chineses,” assinala Emmy Bosten.

Segundo dados do Centro de Promoção de Investimentos (CPI) de Moçambique, o investimento directo chinês já ocupa a sexta posição na lista de parceiros de Moçambique, tendo passado de 243 mil euros, em 2004, para 4,6 milhões de euros, em 2005.

Ainda em 2005, as trocas comerciais entre os dois países conheceram o seu maior nível, totalizando 125 milhões de euros, um nível correspondente a um aumento de 100 por cento.

No capítulo da educação, os governos dos dois países estão a discutir a possibilidade de introduzir o ensino da língua chinesa em Moçambique, depois de Maputo ter manifestado interesse nesse sentido.

Em 2001 a China e Moçambique assinaram um Acordo de Comércio e o Acordo para a Promoção e Protecção Recíproca do Investimento, tendo sido também criada a Comissão Mista para a Economia e Comércio. (macauhub)

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