Rendimento de árvores de caju em Moçambique aumentou até seis vezes em oito anos

15 March 2006

Maputo, Moçambique, 15 Mar – A produção de castanha de cajú em Moçambique vai consolidar-se acima das 100 mil toneladas anuais com um pacote tecnológico desenvolvido pelo Instituto de Fomento do Caju (INCAJU) que aumentou até seis vezes o rendimento de cajueiros, soube a Macauhub jnto de fonte oficial.

O pacote tecnológico centra-se no controlo químico das árvores para evitar o aparecimento de pragas como o oídio, que anteriormente tinham afectado a produção de caju e na inovação das técnicas de cultivo.

O programa, iniciado em 1998 e abrangendo entre 10 e 12 por cento dos 26 milhões de cajueiros plantados no país, permitiu que o rendimento por árvore aumentasse de dois para até 12 quilos, disse ao Macauhub a directora do INCAJU, Clementina Machungo.

Actualmente, o rendimento médio é de cerca de três quilos por árvore, prevendo o INCAJU um aumento médio para sete quilos nos próximos cinco anos e para entre nove e dez quilos em dez anos.

Recentemente, o governo anunciou a instalação de três fábricas para o processamento do caju, reactivando essa indústria na perspectiva de uma produção anual superior a 100 mil toneladas, o que já se verificou na campanha de 2004-05.

“Ultrapassámos a fase bastante crítica e estamos a começar a recuperar a produção nas vertentes de qualidade e da quantidade”, disse a directora do INCAJU.

“Com estes valores, Moçambique já volta a ser indicado como exportador individual e deixa de estar no grupo de ‘outros exportadores’, acrescentou Clementina Machungo.

Quando se tornou independente, em 1975, Moçambique era o maior produtor mundial de caju, produto que constituía a sua mais importante exportação e alimentava uma desenvolvida indústria.

Em 1984, a produção da castanha desceu pela primeira vez em muitos anos abaixo das cem mil toneladas, mantendo-se desde então na casa das dezenas de milhar de toneladas.

Após 16 anos de guerra civil, entre 1976 e 1992, o sector foi profundamente afectado por doenças e pelo envelhecimento das árvores, que dizimaram a produção do país, enquanto a indústria de processamento de caju exigia um forte investimento.

No entanto, o financiamento do Banco Mundial de mais de 400 milhões de dólares à reconciliação nacional impôs a liberalização das exportações de caju em bruto, reduzindo de 26 para 14 por cento as respectivas taxas de exportação.

Em consequência, apenas cinco das mais importantes 15 fábricas de processamento não fecharam as portas e mais de cinco mil operários perderam o emprego.

Segundo um estudo publicado no final da década de 1990, Moçambique perdia cerca de 150,00 dólares por tonelada ao exportar a castanha em bruto em vez de a processar.

Em resultado da contestação nacional às medidas do Banco Mundial, as taxas de exportação de caju em bruto aumentaram para 18 a 22 por cento e passaram a ser revistas anualmente.

Nos últimos anos, as taxas de exportação de castanha em bruto situam-se nos 18 por cento.

Actualmente a indústria emprega 4550 pessoas e da produção da castanha depende cerca de um milhão de famílias, de um universo de 18 milhões de moçambicanos.

A província de Nampula, no norte de Moçambique, contribui com cerca de 60 por cento da produção nacional de castanha. (macauhub)

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