Fiat testa o Palio chinês no Brasil para possível exportação para o Chile

17 March 2006

São Paulo, Brasil, 17 Mar – A Fiat está a testar o modelo Palio produzido na sua unidade na China, em auto-estradas brasileiras, anunciou quinta-feira a montadora italiana de automóveis.

O objectivo do teste é adaptar o modelo chinês às condições da América do Sul, nomeadamente topografia, combustível e peças da suspensão, para uma possível exportação para países da região.

Actualmente, a fábrica da Fiat no Brasil é responsável pela exportação do modelo Pálio para os países da região, mas a recente valorização da moeda brasileira aumentou o custo final dos veículos.

Assim o Pálio produzido na China, na Yuejin Motor Group, em Nanjing, a preços mais baixos, poderá substituir o produzido no Brasil, passando a ser vendido aos países vizinhos, principalmente para o Chile, cujo imposto de importação é de seis por cento.

Já os países para Brasil, Argentina, Paraguai e Uruguai, países que formam o Mercosul, o imposto de importação de veículos é de 35 por cento, o que dificulta a venda de veículos produzidos na China.

Desde de Dezembro de 2002, a moeda brasileira já registou uma valorização superior a 40 por cento em relação ao dólar norte-americano.

O presidente da Fiat Brasil, Cledorvino Belini, disse que a valorização do real reduz a competitividade dos veículos produzidos na unidade brasileira no mercado internacional.

No ano passado, a unidade brasileira da Fiat exportou cerca de 100.000 veículos, número que deverá diminiuir para 70.000 em 2006.

Cledorvino Belini salientou que os preços dos veículos produzidos no Brasil subiram em média cerca de 30 por cento, nos últimos 15 meses.

O executivo disse igualmente que, para reduzir os custos de produção, a Fiat poderá importar peças e componentes da China, a exemplo de outros fabricantes instalados no Brasil.

No início de Fevereiro, a subsidiária brasileira da General Motors anunciou que planeia iniciar a importação de peças de veículos da China, Coreia do Sul e do México.

O objectivo é a redução dos custos de produção, como forma de compensar a perda de competitividade dos seus automóveis no mercado internacional, com a valorização da moeda brasileira.

No ano passado, os fabricantes brasileiros de peças para automóveis importaram 6,6 mil milhões de dólares, um aumento de 18,9 por cento em relação a 2004.

No Brasil desde 1976, a unidade da Fiat está sediada na cidade de Betim, na região metropolitana de Belo Horizonte, capital do Estado de Minas Gerais, na região Sudeste do país.

A montadora italiana é uma das líderes do mercado de automóveis no Brasil, com modelos como o Pálio e a Fiat Uno, o veículo mais barato vendido actualmente no país. (macauhub)

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