Gigantes do açúcar cobiçam empresas que operam em Moçambique

27 March 2006

Maputo, Moçambique, 27 Mar – O bom comportamento do sector açucareiro em Moçambique está a provocar a corrida a algumas das empresas instaladas no país, por multinacionais do sector que têm em vista o livre acesso ao mercado europeu em 2009.

A francesa Tereos – Union de Cooperatives Agricoles, a segunda maior empresa europeia de açúcar que recentemente adquiriu 50 por cento do capital da Sena Holdings de Moçambique, e a companhia britânica Associated British Food estão interessadas na compra da gigante sul-africano Illovo, instalado na Maragra, nos arredores de Maputo, soube a macauhub junto de fonte oficial.

A Illovo é a maior empresa do sector açucareiro em África e está presente em vários países que vão beneficiar de acesso livre ao mercado europeu a partir de 2009, como Moçambique, Malawi, Zâmbia e Tanzânia.

Na Maragra, a empresa sul-africana registou no último ano uma produção de 74,5 mil toneladas, bem acima de expectativa das 63 mil toneladas com que a Illovo partiu para a campanha de 2005.

Estes valores transformaram a Maragra na principal produtora de açúcar de Moçambique, ultrapassando os rivais da Savannah Sugar Estates, das Maurícias, e da francesa Tereos, instalados em Marromeu, centro do país, que alcançaram uma produção de 73,3 mil toneladas, abaixo da meta das 80 mil toneladas.

Na última semana, a Illovo anunciou ter recebido uma proposta dos britânicos da Associated British Food, que controla a British Sugar, de compra de 51 por cento do seu capital.

Já os franceses da Tereos, que este ano entraram no processamento de açúcar em Marromeu, na província de Sofala, comprando 50 por cento dos 78 por cento privatizados e até então totalmente nas mãos do grupo mauriciano Savannah Sugar Estates, anunciaram que estão dispostos a abandonar este investimento e outro que têm no Brasil a troco de 75 por cento do capital da Illovo.

“O sector está em franca recuperação e é natural que os investidores olhem para Moçambique como uma oportunidade e corram para cá”, disse ao macauhub Líria Nhaquila, do Instituto Nacional do Açúcar de Moçambique (INA).

“Para além disso, Moçambique tem a atracção de ser um LDC (país de baixo desenvolvimento, na sigla em inglês) o que faz com que possa vir a ser um dos grandes beneficiários da abertura do mercado europeu”, acrescentou a técnica do INA.

“O encanto da Illovo é que a empresa tem operações de baixo custo no Malawi, Zâmbia, Tanzânia e Mozambique, que vão encurtar as distâncias para os europeus e permitir-lhes açúcar a preço extremamente baixo e, no futuro, entrada sem barreiras na Europa”, explicou Eugene Gosseon, um analista de mercados sul-africano, citadop pela imprensa do seu país.

O sector do açúcar em Moçambique acaba de dar por concluída a sua reabilitação, com um financiamento de 140 milhões de dólares, que aumentou a capacidade da sua indústria para valores acima das 250 mil toneladas/ano.

Em 2005, a produção do sector bateu todos os recordes, tendo atingido 2,2 milhões de toneladas de cana, mais de 265 mil toneladas de açúcar e 81 mil toneladas de melaço, numa área total colhida de pouco mais de 31 mil hectares.

Esta produção representa ganhos de 20%, 29% e 23% para cana, açúcar e melaço, respectivamente, em relação a 2004.

Para além da Maragra e de Marromeu, operam mais duas açucareiras no país, nas quais participa a sul-africana Tongaat-Hulett, que detém 49 por cento do capital da Açucareira de Xinavane, na província de Maputo, e 75 por cento em Mafambisse, no centro de Moçambique.

O aumento da produção foi acompanhado de maior exportação, sobretudo para os mercados preferenciais da União Europeia – através dos protocolos “Tudo Menos Armas” (EBA) e países ACP – para os Estados Unidos e para a Comunidade de Desenvolvimento da África Austral (SADC).

No conjunto, estes três mercados absorvem mais de 60 por cento do açúcar “made in Moçambique” destinado ao exterior.

Da produção de 2005 já foram exportadas 56 mil toneladas e, até ao final de Março, serão vendidas 13 mil toneladas adicionais para a UE, no âmbito da iniciativa EBA, e 5 mil toneladas para os EUA, fixando em cerca de 62 toneladas o que a produção de 2005 destinou a mercados preferenciais.

A actual quota preferencial de açúcar de 8 mil toneladas que Moçambique exporta para a Europa ao abrigo da iniciativa “Tudo Menos Armas” deverá aumentar até 15 por cento, segundo estimativas avançadas pela Tongaat-Hulett.

Para além das exportações para a União Europeia, Moçambique vende anualmente 12 mil toneladas para os Estados Unidos e 10 mil toneladas para a região da África Austral, ao abrigo de um acordo de açúcar assinado pelos países da Comunidade de Desenvolvimento da África Austral (SADC).

O sector do açúcar em Moçambique emprega cerca de 26 mil trabalhadores directamente e outros quatro mil em serviços de apoio, como corte de cana, transporte, e em produções independentes de cana (macahub).

MACAUHUB FRENCH