Crescimento económico africano ao nível mais alto da última década

3 April 2006

Nova Iorque, Estados Unidos da América, 03 Abr – O crescimento económico médio dos países africanos foi de 4,6 por cento em 2004, revela um estudo da Comissão Económica para África das Nações Unidas a que o macauhub teve acesso.

Indicando que esse crescimento seguiu a tendência de subida dos anos anteriores e atingiu o nível mais alto da última década, o estudo afirma que o crescimento foi sustentado por “uma forte recuperação global, preços de matérias-primas mais elevados e alta da produção e preços do petróleo”.

“Também a contribuir estiveram uma boa gestão macro-económica, um melhor desempenho agrícola em todo o continente, melhoria da situação política em muitos países e ainda o apoio dos doadores internacionais”, refere o estudo divulgado na semana passada em Nova Iorque.

Mas, refere a Comissão Económica para África, o crescimento médio ficou aquém da meta da Iniciativa de Desenvolvimento do Milénio, que apontava para sete por cento, apenas alcançada por seis países, entre eles Angola e Moçambique.

A região que mais elevado crescimento económico apresentou foi a África Central, em particular o Chad, que cresceu 39,4 por cento, e a Guiné Equatorial, 18,3 por cento, graças à subida do preço do petróleo nos mercados internacionais.

Na África Oriental o crescimento médio atingiu 5,8 por cento, no Norte 4,8 por cento, e a região austral foi das que registou crescimento mais modesto, 3,5 por cento, apesar uma melhoria significativa.

Nesta região, a Comissão Económica da ONU destaca o caso de Angola, “que emergiu de um conflito para se tornar a segunda maior economia e registar o segundo maior crescimento” na África Austral, e também o de Moçambique, que beneficiou de “forte desempenho do sector agrícola”.

De acordo com dados da Comissão, em 2004 o investimento directo estrangeiro em África cresceu 25 por cento em relação ao ano anterior, para 20 mil milhões de dólares.

“Os elevados preços de ´commodities´ atraíram novos projectos de exploração estrangeiros, principalmente concentrados nos diamantes, ouro, petróleo e platina”, ao mesmo tempo que “uma percepção mais favorável dos investidores e reformas regulatórias em muitos países africanos também ajudaram a atrair investimento”.

Mas, apesar de o crescimento económico estar em alta, conclui a Comissão, este não se tem reflectido de forma igualmente expressiva na redução dos índices de pobreza.

Por isso, recomenda, “os governos devem criar e fomentar um ambiente em que o sector privado possa crescer e criar empregos”, nomeadamente através da redução da burocracia, disseminação de instrumentos de micro-crédito e criação de pequenas e médias empresas. (macauhub)

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