Exportações de camarão e pescado de Moçambique aumentaram 6 milhões de dólares em 2005

3 April 2006

Maputo, Moçambique, 03 Abr – As exportações moçambicanas de camarão e pescado ascenderam, em 2005, a 96 milhões de dólares, mais seis milhões do que no ano anterior, de acordo com números oficiais a que o Macauhub teve hoje acesso.

Para este aumento de 6,7 por cento muito contribuiu o comportamento das capturas industriais de camarão que é pescado, sobretudo, no banco de Sofala, província do centro de Moçambique.

O maior volume exportado de camarão permitiu que não se registassem efeitos negativos nas vendas ao exterior provocados pela quebra acentuada na pesca e exportação da capenta, um peixe existente na albufeira de Cahora Bassa, província de Tete, e cuja captura tem alimentado um importante negócio desde 1994.

“Ainda é prematuro falarmos sobre este ano e temos que levar em conta os fenómenos naturais mas estamos optimistas”, disse ao Macauhub o vice-ministro das Pescas de Moçambique, Victor Borges, sobre o comportamento das exportações.

A nível de pesca industrial de camarão, Moçambique e União Europeia assinaram um acordo, válido até 2007, pelo qual barcos portugueses, espanhóis, franceses, italianos e gregos poderão pescar num total de mil toneladas por ano.

Em compensação, Moçambique recebe da UE um apoio anual de quatro milhões de euros, repartido por actividades de fiscalização, investigação científica, formação, entre outras.

A maioria das exportações teve origem na captura industrial de pescado mas o governo de Moçambique mantém em marcha um plano de apoio à pesca artesanal que contribui com 65 por cento das cerca de 100 mil toneladas de pescado capturadas por ano e envolve cerca de 70 mil pescadores, número dos recenseados apenas na zona costeira.

“Queremos melhorar as técnicas de pesca, de conservação de pescado após a pesca e de venda do peixe, e se o conseguirmos, estaremos a dar um contributo importante para a economia de Moçambique e para a redução da pobreza absoluta”, disse Victor Borges, sobre o plano de formação.

Este projecto envolve pescadores artesanais das zonas costeiras do centro e norte de Moçambique, abrangendo as províncias de Sofala, Quelimane, Nampula e Cabo Delgado, e está orçado em 54 milhões de dólares.

O governo incentivou a formação de conselhos comunitários de pesca, os quais, para além de tratarem dos problemas próprios do sector, participam na gestão dos recursos pesqueiros, disse o ministro.

Criado há apenas seis meses, o conselho comunitário de pesca de Nhangau, perto da cidade da Beira, anunciou na última semana a captura de 434 toneladas de pescado pelos seus mais de 1.300 pescadores artesanais.

“Actualmente, estamos à procura de parceiros que nos permitam o financiamento de projectos idêntico para as províncias de Inhambane e de Maputo, para que toda a costa fique coberta”, acrescentou Victor Borges (macauhub).

MACAUHUB FRENCH