FMI prevê que economia de Angola cresça acima de 13 por cento até 2010

3 April 2006

Washington, Estados Unidos, 31 Mar – O Fundo Monetário Internacional prevê que a economia de Angola cresça acima de 13 por cento entre 2007 e 2010, graças às receitas petrolíferas, permitindo aumentar despesas públicas e reduzir significativamente o nível de endividamento do país.

Num relatório sobre Angola, divulgado na passada semana em Washington, o Fundo estima que as receitas petrolíferas do governo, em dólares norte-americanos, dupliquem entre 2005 e 2010, “mesmo considerando uma descida dos preços de petróleo para a sua tendência de longo prazo”.

“Este crescimento de receitas poderá criar margem para um aumento substancial dos gastos públicos, ainda que mantendo excedentes fiscais confortáveis”, afirma.

O Fundo prevê ainda uma descida “contínua” do rácio de dívida pública sobre o produto interno bruto, para cerca de 20 por cento, até ao final da década.

“Com produção petrolífera adicional a ser aumentada a partir das descobertas existentes, as perspectivas são prometedoras para um crescimento económico contínuo e finanças públicas fortes até ao final da década”, refere o relatório.

Este ano, estima, a economia deverá crescer perto de 15 por cento, significativamente abaixo das estimativas do Governo angolano, que apontam para a casa dos 28 por cento.

O Fundo deixa, contudo, alguns avisos, nomeadamente a necessidade de calcular despesas públicas num horizonte de médio prazo, de “avaliar cautelosamente” os gastos públicos, e de “acelerar as reformas estruturais, acompanhadas de melhorias sustentadas na transparência”.

Em relação à política macro-económica angolana, o FMI recomenda a redução da dívida externa, nomeadamente 2 mil milhões de dólares atrasados, e a acumulação de reservas de divisas estrangeiras, tendo em vista “melhorar a posição fiscal”.

O gastos públicos orçamentados para este ano, 7,9 mil milhões de dólares, cinco vezes a execução do ano anterior, são, para o FMI, “um risco considerável para a economia, dada a limitada capacidade administrativa”.

“Ainda que louváveis, à luz das necessidades do período pós-conflito e da pobreza, tal aumento coloca um fardo muito considerável nos recursos administrativos necessários para processar os projectos”, afirma.

Para a instituição de Bretton Woods, o objectivo do governo de uma taxa de inflação de 10 por cento este ano “requer um aperto da política monetária, incluindo uma possível apreciação das taxas de câmbio nominais”.

O Fundo recomenda ainda a revisão do sistema de cálculo de pagamentos do Governo à Sonangol pelos custos de refinação e distribuição de produtos petrolíferos.

Esta revisão deveria reflectir “as alterações entre custos e preços no sector petrolífero”, e sem ela a petrolífera acumulará “ganhos súbitos substanciais” desde que os preços começaram a escalar, em 2003. (macauhub)

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