Destino de fábricas brasileiras deve ser a China, afirma diplomata

7 April 2006

São Paulo, Brasil, 07 Abr – Algumas empresas brasileiras terão que transferir parte de sua produção para a China caso pretendam sobreviver à concorrência daquele país asiático, afirmou quinta-feira em São Paulo o embaixador do Brasil nos Estados Unidos.

Roberto Abdenur, que já foi embaixador do Brasil em Pequim, na década de 80, salientou que a diplomacia brasileira precisa abandonar o que classificou de uma “visão romântica” em relação à China.

“Tínhamos uma visão romântica sobre a China, achávamos que era uma país de oportunidades para o Brasil e que promoveríamos uma integração entre os países em desenvolvimento do Hemisfério Sul”, disse o diplomata.

“A China não se apresenta como um país em desenvolvimento, mas como uma potência”, disse o embaixador, durante um encontro da versão latino-americana do Fórum Económico Mundial, que decorre em São Paulo.

Roberto Abdenur avançou que o Brasil “não deve ter ilusões” em relação à China tornar-se um grande investidor estrangeiro no país, proposta defendida pelo governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

“Sou céptico em relação à China como grande investidor no Brasil, como foi o Japão”, disse o embaixador, durante o encontro que reúne dezenas de líderes empresariais latino-americanos.

A aproximação com a China é uma das prioridades de política externa de Lula da Silva, que inclusive reconheceu recentemente o país asiático como “economia de mercado”.

Lula da Silva liderou em 2004 uma grande comitiva de empresários em visita à China, e recebeu seu homólogo Hu Jintao, em Brasília, no mesmo ano.

Roberto Abdenur realçou que a abertura de fábricas na China terá que fazer parte da estratégia de internacionalização das empresas brasileiras, nomeadamente as que utilizam mão-de-obra intensiva. (macauhub)

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