China domina auxílio a Angola e reforça laços económicos com países de língua portuguesa

10 April 2006

Lisboa, Portugal, 10 Abr – A China está a dominar o auxílio a Angola, suplantando Brasil, Portugal e Rússia, e a conduzir com sucesso uma política de aproximação aos países africanos de língua portuguesa, escreve o banco português BPI no seu último relatório sobre a economia angolana.

O esperado anúncio da redução da dívida de países como Angola, Moçambique e Cabo Verde, bem como os empréstimos com baixos juros e isenção de tarifas aduaneiras “tendem a reforçar as relações da China com os países africanos de língua portuguesa”, afirma o analista do BPI Pedro Ferreira da Silva, no relatório a que o macauhub teve acesso.

Outros exemplos de aproximação apontados são a criação de um banco de investimento para financiar projectos em parceria dos vários países, e o esperado anúncio do lançamento de um estudo de viabilidade para a criação de uma rede logística de transportes aéreos e marítimos a ligar os oito países membros do Fórum de Cooperação Económica e Comercial entre a China e os Países de Língua Portuguesa, conhecido como Fórum Macau.

No caso particular de Angola, “a China parece continuar a dominar o auxílio”, apesar dos vários apoios que têm vindo a ser concedidos por países como o Japão, Rússia, Brasil e Portugal.

A China disponibilizou a Angola uma linha de crédito para a reconstrução, garantida por exportações petrolíferas, que tem um valor global de dois mil milhões de dólares e, de acordo com informações ainda não confirmadas oficialmente, será proximamente alargada em mais mil milhões.

O relatório do BPI destaca ainda a “animação” sentida no sector diamantífero, com a concessionária pública Endiama a prever uma produção de 12 milhões de quilates este ano, e de 19 milhões de quilates até 2009.

“Espera-se a continuação do aumento da produção de diamantes em Angola, existindo cada vez mais projectos de licenciamento para a prospecção, pesquisa e exploração de pedras preciosas”, além dos avanços na lapidação, com a inauguração da fábrica Angola Polishing Diamonds, em Novembro do ano passado, adianta.

O BPI frisa ainda que as reservas conhecidas têm vindo a crescer exponencialmente, com estudos recentes a admitirem que atinjam 220 milhões de quilates de quimberlíticos e 150 milhões de aluvionares, cerca de quatro vezes acima das estimativas anteriores.

No sector petrolífero, adianta o relatório, as autoridades angolanas estão a acelerar os concursos para a entrada de mais empresas na exploração, para tirar partido da “forte capacidade de exploração” e cumprir a meta de produção de dois milhões de barris de crude diários, até 2008.

Para o banco português, o programa de estabilização macroeconómica conduzido pelas autoridades angolanas, após o fim da guerra, conduziu a “progressos admiráveis”, mas o sucesso do sector petrolífero e mineiro não está ainda a contagiar as restantes actividades económicas.

“Para a economia crescer de forma harmónica e reduzir-se a pobreza endémica, tem de se criar infra-estruturas de base físicas e humanas”, recomenda o BPI. (macauhub)

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