Redes de relações com chineses de Macau e Hong Kong pode desbloquear acesso de portugueses ao mercado chinês

10 April 2006

Lisboa, Portugal, 10 Abr – As redes de relações, com chineses de Macau, Hong Kong e Portugal podem desbloquear o acesso das empresas portuguesas ao mercado chinês, onde a sua presença é ainda “incipiente”, afirma a investigadora Fernanda Ilhéu.

Autora do livro “A Internacionalização das Empresas Portuguesas e a China”, Fernanda Ilhéu afirma que os empresários portugueses que demonstram actualmente “grande interesse” pelo mercado da China devem “considerar a utilização de mercados porta de entrada, mais ocidentalizados, como Hong Kong, Macau e Taiwan, para ultrapassar as distâncias culturais e linguísticas” e também da “rede dos chineses ultramarinos”, em Hong Kong, Macau e Portugal.

A secretária-geral da Câmara de Comércio e Indústria Luso-Chinesa afirmou na apresentação do livro, na sexta-feira passada em Lisboa, que essa rede (guangxi) deve merecer a “concentração de esforços numa província chinesa”, uma vez que só por si oferece “condições mais favoráveis”.

O livro que resulta de uma tese de doutoramento na Universidade de Sevilha, visou identificar as oportunidades e condicionantes da actividade das empresas portuguesas no mercado da China.

O objectivo, referiu Fernanda Ilhéu ao macauhub, era perceber “porque tantas empresas reconhecem a importância do mercado chinês e há tão poucas a trabalhar lá; porque vinham estas pessoas todas em missões comerciais à China e um ano depois não acontecia nada”.

O estudo abrangeu 111 empresas, de uma base de dados inicial de 309, que trabalham no mercado chinês há mais de três anos, quer na exportação, quer no investimento, e que não sejam subsidiárias de multinacionais.

Do inquérito aos gestores, as principais conclusões são que as empresas portugueses presentes na China estão “pouco comprometidas com o mercado”, dedicando-se na sua maioria à actividade comercial, através de escritórios de representação, e, em 72 por cento dos casos, a percentagem de facturação na China representa menos de cinco por cento do total.

Para Ilhéu, esta “presença incipiente” resulta de insuficiente apoio ao nível governamental, e principalmente de dificuldades de acesso ao mercado, aos canais de distribuição, falta de informação e conhecimento da ética e práticas de negócio – em suma, à falta de “guanxi”.

“Se não conseguirmos criar marcas na China, não conseguimos entrar no mercado. Temos de ter pontos de venda próprios, e visibilidade ao nível dos melhores”, afirmou a investigadora ao macauhub.

Para Ilhéu, as empresas portuguesas devem ainda ter presente que, para os estrangeiros, “o modo de entrada na China foi, e em muitos casos ainda é, através de investimento directo, e não das exportações. As autoridades chinesas são mais cooperantes com as empresas que investem na China, facilitando a distribuição de produtos feitos no país”.

É também importante, afirmou, um maior apoio do governo português no processo de entrada, nomeadamente através da promoção da imagem dos produtos e esquemas financeiros, e promovendo uma “cooperação estreita” com as empresas na definição de estratégias e aproximação ao mercado. (macauhub)

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