Cerveja Laurentina de Moçambique regressou aos mercados mundiais

11 April 2006

Maputo, Moçambique, 11 Abr – A Laurentina, a famosa cerveja de Moçambique, onde detém 20 por cento do mercado, passou a ser exportada para o Reino Unido, no relançamento de uma das mais conhecidas marcas africanas pelo seu produtor, a gigante cervejeira sul-africana SABMiller.

Produzida pela Cervejas de Moçambique (CDM), detida em 49,1 por cento pela SABMiller, que assume a gestão, a Laurentina já era exportada para a África do Sul, onde a sua fama de meio século resistiu aos anos em que a marca quase desapareceu de circulação.

Em conjunto, os mercados sul-africano e britânico representam um volume de vendas de aproximadamente 150 mil dólares por ano, disse ao macauhub o director de comunicações da CDM, José Moreira.

Este valor parece insignificante quando comparado com os 25 milhões de dólares que a Laurentina vende por ano em Moçambique, onde detém 20 por cento do mercado, mas as exportações da mais conhecida cerveja moçambicana inserem-se numa estratégia de rejuvenescimento de marcas africanas pela SABMiller.

“A Laurentina é a cerveja original de Moçambique e a sua história data de 1932. E a Laurentina preta é uma oferta única que já não existe em mais lado nenhum”, disse Moreira.

O “crescente interesse por África” por parte do mercado britânico e a oportunidade de “tornar a Laurentina disponível para os moçambicanos que vivem no Reino Unido” foram outros dos factores indicados pela SABMiller para avançar com as operações para o país europeu.

Produzida desde há quase 75 anos, a Laurentina – que significa natural de Lourenço Marques, o nome da capital, Maputo, na administração colonial portuguesa – depressa se impôs entre as marcas mais conhecidas de cervejas africanas.

Após a independência, em 1975, e numa situação de vazio legal no âmbito das patentes, a marca “ressurgiu” na África do Sul e na Alemanha, em tentativas frustradas de particulares se apropriarem de um nome que, inclusivamente está associado a diversas receitas da rica culinária moçambicana.

Hoje, a Laurentina está ligada aos bons resultados que a SABMiller registou nos seis meses de 2005, que terminaram em Setembro, e nos quais houve um crescimento de 10 por cento nas vendas de umas das maiores multinacionais da cerveja.

Para este comportamento, refere um comunicado de Novembro de 2005 da SABMiller, registou-se a “boa contribuição de África e da Ásia, lideradas pela China, Moçambique e Tanzânia”, mercados onde a empresa está fortemente implantada.

Em Moçambique, a SABMiller produz igualmente as cervejas 2M e Manica, nas fábricas que a CDM mantém em Maputo e na Beira.

No relatório, respeitante ao ano que terminou em 2005, a CDM anunciou um crescimento de 13,2 por cento, atribuindo esse comportamento positivo a factores externos como a melhoria do ambiente de negócios, a boa campanha agrícola e o fortalecimento do metical, a moeda nacional moçambicana.

A nível interno, a empresa revelou ter efectuado ajustamentos de funcionamento “que lhe permitiram capitalizar as condições externas favoráveis”. (macauhub)

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