Indústria de Cabo Verde deve diversificar e aumentar qualidade nos sectores tradicionais

18 April 2006

Cidade da Praia, Cabo Verde, 18 Abr – A indústria de Cabo Verde deve aumentar a qualidade e valor acrescentado dos seus produtos tradicionais e apostar em novos sectores, para suportar a concorrência global, conclui um estudo oficial a que o macauhub teve acesso.

A Estratégia Nacional para o Desenvolvimento do Sector Industrial, que será apresentada publicamente na próxima semana, propõe a implementação de um programa de apoio à melhoria da qualidade dos produtos cabo-verdianos, outro para o capital humano e investigação e desenvolvimento, e ainda a promoção de investimento internacional e em infra-estruturas.

O estudo considera como “estratégicos” os sectores agro-alimentar, de têxteis e calçado e de materiais de construção, e ainda novas áreas, nomeadamente a indústria farmacêutica e cultural.

“As ameaças que pesam sobre a indústria cabo-verdiana são as mesmas da indústria mundial: a concorrência é feroz nos sub-segmentos ocupados por Cabo Verde”, em particular nos têxteis e calçado, refere o estudo.

O principais obstáculos do arquipélago, aponta, são o nível de desenvolvimento tecnológico, sobretudo na logística e transporte, infra-estruturas, custo do crédito, falta de terras aráveis e pequena dimensão do mercado interno.

“O atraso em matéria de investigação e desenvolvimento, a gestão da qualidade e, de maneira geral, a utilização da tecnologia, devem imperativamente ser ultrapassadas para criar condições para suportar a concorrência mundial”, a par de um esforço na melhoria das infra-estruturas, afirma o estudo.

O sector mais exposto à concorrência mundial é o dos têxteis e calçado, pela falta de diferenciação de produtos e baixo nível tecnológico, enquanto que a indústria agro-alimentar e a dos materiais de construção se encontram mais protegidas, graças às disponibilidade de matérias-primas locais.

O estudo sugere, em relação aos têxteis e calçado, que Cabo Verde se posicione como “fornecedor de capacidade industrial” para marcas estrangeiras ou, em alternativa, invista no desenvolvimento de produtos e marcas diferenciadas.

Nos materiais de construção, a disponibilidade de recursos naturais, como a argila, areia e gravilha, “permite encarar desenvolvimentos em direcção a mercados de maior valor acrescentado”, nomeadamente das azulejaria e cerâmica, através de investimentos na formação e desenvolvimento tecnológico.

Em relação a novos sectores, refere o estudo, a farmacêutica pública Impharma “pode tirar partido da proximidade geográfica com o continente africano para se posicionar no crescente mercado regional de medicamentos genéricos”.

A Estratégia Nacional para o Desenvolvimento do Sector Industrial está a ser desenvolvida pela Direcção Geral da Indústria e Energia (DGIE), do Ministério da Economia cabo-verdiano, e será apresentada publicamente no próximo dia 24 num seminário na Cidade da Praia. (macauhub)

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