Chineses querem parceiro português para aquacultura em Moçambique

21 April 2006

Weihai, China, 21 Abr – O grupo chinês Weihai International Economic and Technical Cooperation (WIETC) está à procura de um parceiro português para o negócio de aquacultura na cidade da Beira, em Moçambique, disse hoje o vice-presidente do grupo, Wu De Dang.

“Como parte da estratégia da nossa empresa, queremos abandonar a pouco e pouco os projectos de aquacultura. Queremos por isso vender mais de 50 por cento da empresa em Moçambique, uma vez que a aquacultura está muito longe do nosso negócio principal,” disse Wu.

Os negócios principais da WIETC, que teve em 2005 uma facturação de 60 milhões de dólares, são a exportação de serviços e mão-de-obra, a construção de obras públicas e infra-estruturas e o treino e aluguer de tripulações de pesca, adiantou Wu.

“O que procuramos é uma sociedade com experiência em aquacultura, quer em parceria ou mesmo para venda de toda a operação,” disse Hao Lizhi, o director do projecto em Moçambique, que avaliou o valor total da exploração de aquacultura em 17 milhões de dólares (13,76 milhões de euros).

“Preferíamos estabelecer uma parceria com uma empresa português, porque isso tornaria as operações mais fáceis, uma vez que Portugal, sendo um país da União Europeia (UE), partilha a mesma língua e muitos valores culturais comuns com os moçambicanos,” afirmou Wu De Dang.

A empresa começou em Abril de 2002 a vender camarão-tigre para a UE, após ter obtido autorização comunitária, mas os problemas de exportação para o mercado europeu são outra uma das razões porque a firma chinesa quer reduzir o investimento em Moçambique.

“Este ano vamos exportar mais de 90 por cento para a UE, acima de tudo para Portugal, Espanha e França, mas as nossas margens são muito baixas, porque dependemos de intermediários europeus para pôr a produção no mercado”, referiu Hao, enquanto o vice-presidente do grupo disse que a parceria com empresas portuguesas permitirá que o parceiro português coloque directamente a produção no mercado, aumentando as margens de lucro.

A exploração de aquacultura da WIETC tem 174 hectares de campos de aquacultura, 100 hectares de reservatórios, unidade de refrigeração, geradores de energia, zona residencial para os cerca de 200 empregados e uma unidade de armazenamento de 350 metros quadrados.

Desde o início da exportação, a WIETC investiu 100 milhões de yuan, financiados pelo Banco de Exportações e Importações da China (Eximbank), e produz cerca de 450 toneladas de camarões tigre por ano, disse Wu De Dang.

O projecto decorre da assinatura em 1998 de um acordo de cooperação técnica e económica entre os governos moçambicano e chinês.

Fundada em 1981, a WIETC, com base na cidade de Weihai, na costa da província oriental chinesa de Shandong, tem um quadro permanente de mais de 180 trabalhadores na China e tem ainda escritórios no Japão, Coreia do Sul, Congo, Nigéria, Rússia e Moçambique. (macauhub)

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