Apenas um terço da produção de petróleo de Angola fica no país

27 April 2006

Luanda, Angola, 27 Abr – O Estado angolano apenas recebe um terço da produção de petróleo do país, actualmente estimada em 1,4 milhões de barris diários, ficando a maior parte para as empresas que operam em Angola, como forma de recuperarem os elevados investimentos.

Os dados foram revelados em Luanda por Amadeu Azevedo, director nacional dos Petróleos, em declarações à margem dos trabalhos preparatórios da reunião do Conselho de Ministros da Associação dos Países Africanos Produtores de Petróleo (APP), que se realiza sexta-feira na capital angolana.

Segundo Amadeu Azevedo, exceptuando as receitas de impostos, o Estado angolano apenas arrecada 32 por cento do total da produção petrolífera do país.

As companhias petrolíferas que operam em Angola ficam com metade da produção, como forma de recuperarem os elevados investimentos que realizam para a exploração de petróleo, enquanto a outra metade é dividida entre essas empresas e o Estado, representado pela Sociedade Nacional de Combustíveis de Angola (SONANGOL).

Para tentar inverter este quadro, Amadeu Azevedo salientou que o país está a apostar na formação de quadros nacionais e no aumento da participação de empresas angolanas na actividade petrolífera, um sector que pretende que venha a ser dominado por nacionais, de forma a aumentar as receitas internas.

Amadeu Azevedo admitiu, por outro lado, que a produção petrolífera de Angola poderá crescer mais rapidamente do que o previsto, salientando que poderá atingir dois milhões de barris diários no final de 2007.

As estimativas dos responsáveis da SONANGOL apontavam para este nível de produção apenas em 2008.

Angola é o segundo maior produtor de petróleo da África sub-saariana, atrás da Nigéria, produzindo actualmente cerca de 1,4 milhões de barris por dia.

As reservas petrolíferas do país estão estimadas em cerca de 12 mil milhões de barris, encontrando-se a zona marítima angolana dividida em 74 blocos de exploração, em águas rasas, profundas e ultra-profundas, dos quais apenas cerca de três dezenas estão actualmente em operação. (macauhub)

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