Angola procura apoio do FMI para negociação da dívida com Clube de Paris

3 May 2006

Lisboa, Portugal, 03 Mai – Angola está à tentar obter o apoio do Fundo Monetário Internacional (FMI), através de um acordo “ad-hoc”, para resolver as dívidas com o Clube de Paris e aceder a novas linhas de crédito, noticiou a “newsletter” Africa Monitor.

Segundo o boletim de informação editado em Lisboa, nos encontros mais recentes o governo procura tirar partido do último relatório do FMI sobre Angola, que faz um balanço positivo do desempenho macro-económico do país, para partir já para a negociação da resolução da dívida e de apoios financeiros, sem se sujeitar a um programa monitorizado pela instituição de Bretton Woods.

A adesão a um programa de monitorização tem sido uma condição apresentada por muitos países credores para negociarem bilateralmente as dívidas e conceder novos apoios.

Na semana passada, o ministro angolano das Finanças, José Pedro de Morais, esteve em Paris, acompanhado do governador do banco central, Amadeu Maurício, para encontros com representantes do Clube, que representa países como Alemanha, Canadá, Espanha, Estados Unidos, França, Holanda, Irlanda, Itália, Japão, Reino Unido e Suíça.

As dívidas pendentes de Angola ao Clube estão avaliadas em cinco mil milhões de dólares.

O argumento usado pelas autoridades angolanas, nas mais recentes negociações com as instituições internacionais, é que Angola não necessita de um acordo monitorizado, dada a evolução positiva dos principais indicadores macro-económicos, atestada pelo Fundo, e a actual dimensão das receitas do país, impulsionadas pelos preços do petróleo.

Ainda de acordo com o Africa Monitor, após o acordo com o FMI, Angola pretende organizar uma conferência internacional de doadores, para recolher fundos para a reconstrução do país.

No seu último relatório, o FMI prevê que a economia angolana cresça acima de 13 por cento entre 2007 e 2010, graças às receitas petrolíferas, permitindo aumentar despesas públicas e reduzir significativamente o nível de endividamento do país.

“Com produção petrolífera adicional a ser aumentada a partir das descobertas existentes, as perspectivas são prometedoras para um crescimento económico contínuo e finanças públicas fortes até ao final da década”, refere o fundo. (macauhub)

MACAUHUB FRENCH