China posiciona-se para vaga de aquisições no sector africano das telecomunicações

4 May 2006

Londres, Reino Unido, 04 Mai – A China está a posicionar-se para a vaga de aquisições no sector das telecomunicações de África, na qual terá a concorrência da Vodacom, France Telecom, MTN, entre outras, refere o último relatório da consultora Balancing Act.

Para o autor do estudo, Russell Southwood, a Portugal Telecom Investimentos Internacionais, onde estão as participações em Angola, Cabo Verde, Marrocos, entre outros países, não apresenta uma abordagem coerente ao mercado africano e “poderá dentro de não muito tempo estar na lista dos activos para venda”.

Para a empresa portuguesa “qualquer estratégia internacional sustentada nos activos actuais é uma fantasia que não parece estar a fazer por ver realizada”, apesar de a actual administração defender o reforço da posição no mercado africano.

A consultora considera que os activos da PT em África são um “sortido”, com interesses “em larga medida estagnados” em Moçambique, São Tomé e Guiné-Bissau, e operações mais desenvolvidas em Angola (Unitel), Marrocos (Meditel) e Cabo Verde.

Para a consultora, o mercado de telecomunicações africano está a viver uma “sucessão estonteante de negócios e aquisições” e, mesmo que muitos destes não se venham a concretizar, “a paisagem no sector irá ser certamente muito diferente daqui a três anos”.

Entre os principais intervenientes mundiais a posicionar-se está a China Mobile, que, de acordo com o Financial Times, ofereceu quatro mil milhões de dólares pela operadora Millicom, listada no mercado norte-americano, e que tem interesses no Chade, Gana, Ilhas Maurícias, Senegal, Serra Leoa e Tanzânia.

A empresa chinesa deverá enfrentar a “concorrência acérrima”, adianta o estudo, nomeadamente da operadora egípcia Orascom e da MTC do Kuwait.

Também as fabricantes chinesas de equipamento de telecomunicações ZTE e Huawei estão a penetrar no mercado africano através da compra de operadores, refere o estudo.

A ZTE viu a sua oferta ser seleccionada pela Sonatel no Níger e também chegou há pouco tempo a ser dada como muito próxima de comprar a Zamtel, da Zâmbia.

A Hutchinson de Hong Kong comprou a Kasapa, no Gana, e, tendo em conta o desempenho desta operadora, “irá olhar para novas aquisições no continente”.

Entre as operadoras de comunicações móveis em processo de venda estão a Camtel, dos Camarões, a Gabon Telecom, a gambiana Gamtel, a Gana Telecom, a Nitel nigeriana e a Sotelma, do Mali, prevendo-se a continuação da tendência de aquisições no continente.

A TDM de Moçambique e a zambiana Zamtel “estão na fase do ciclo político em que uma privatização não está na agenda, mas poderá em qualquer altura voltar à ordem do dia”. (macauhub)

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