China quer ampliar intercâmbio com a indústria brasileira de automóveis

12 May 2006

São Paulo, Brasil, 12 Mai – A China quer ampliar o seu intercâmbio com a indústria brasileira de automóveis e de peças sobressalentes, afirmou quinta-feira à agência Macauhub o director do Ministério de Comércio chinês.

Zhang Ji salientou, durante um seminário em São Paulo, que as indústrias dos dois países são “complementares” e que existe um grande potencial para ampliação das relações bilaterais no sector.

“Intensificar as relações é uma boa saída, mesmo num mercado extremamente competitivo como o da produção e da comercialização de automóveis e de peças sobressalentes”, afirmou.

Zhang Ji chefia uma delegação com mais de cem representantes de empresas chinesas do sector que está no Brasil para avaliar oportunidades de negócios e de investimentos.

O director do Ministério do Comércio realçou que, no ano passado, a China produziu 5,708 milhões automóveis, um aumento de 12,6 por cento em relação ao total registado em 2004.

Actualmente, a frota total chinesa é de 30 milhões de automóveis, resultado da produção de 145 montadoras instaladas no país, sendo 55 delas de autocarros.

“As maiores montadoras mundiais estão na China, através de joint ventures, e registam lucros expressivos, muito além do esperado”, salientou Zhang Ji, ao realçar que o país é o quarto maior fabricante mundial de automóveis.

o director afirmou ainda que, desde Janeiro de 2005, não existem qualquer limitação para importação de automóveis e de peças sobressalentes na China.

“Estamos a abrir cada vez mais nosso mercado para a instalação de novas montadoras, que não precisam mais criar joint ventures com sócios locais”, explicou.

A missão chinesa é composta por empresas como a Chery Automobile, Shaoguan Southeast Bearing CO, Guandong Province Shaoguan Foundry and Forcin Group e Chongqing Lifan Industry, entre outras.

Lei Senlin, representante da Hubei Tri-Ring Motor Streering, salientou que o Brasil, actualmente o 11º maior fabricante mundial de automóveis, atrai a atenção dos chineses pela sua dimensão.

Criada há 30 anos, a empresa, que produz peças sobressalentes, com uma facturação que ascendeu a dois mil milhões de dólares em 2005, planeia intensificar as relação com os fabricantes brasileiros.

O secretário de Relações Internacionais do Estado de São Paulo, Flávio Mussa, disse aos empresários chineses que o Brasil produz actualmente uma tecnologia de ponta no sector.

“Produzimos motores “flex fuel”, que utilizam etanol de qualquer origem ou gasolina e que podem contribuir com a redução da poluição atmosférica das grandes cidades chinesas”, disse.

A missão empresarial participou de uma ronda de negócios com empresários brasileiros, promovida pela Câmara Brasil-China de Desenvolvimento Económico (CBCDE), criada em Junho de 2001.

O presidente da CBCDE, Paul Liu, disse que a ronda de negócios é uma “oportunidade para os empresários chineses conhecerem as empresas brasileiras, com o objectivo de ampliar as relações”.

Os empresários chineses participarão também da AutoSports, uma das principais feiras internacionais de peças sobressalentes, que decorrerá até o 13 de Maio, em São Paulo.

Com uma das dez maiores frotas de veículos circulantes do mundo, o Brasil possui cerca de 23 milhões de unidades, entre automóveis, comerciais leves, camiões e autocarros.

A visita empresarial decorre no momento em que a indústria automobilística brasileira está a aumentar a importação de peças sobressalentes da China.

A importação é resultado da recente valorização da moeda brasileira em relação ao dólar, o que torna mais barato comprar autopeças da China do que produzir no Brasil.

No ano passado, as exportações chinesas do sector para o Brasil ascenderam a 2,759 mil milhões de dólares, um aumento de 56 por cento face a 2004.

No sentido inverso, a China importou do Brasil 362 milhões de dólares, um aumento de 30 por cento, no período em análise.

“Esperamos que mais empresas chinesas do sector aumentem as exportações para o Brasil e também estudem a possibilidade de investir no Brasil para ajudar a resolver o problema do desemprego entre os habitantes locais”, disse a cônsul geral da China em São Paulo.

Lia Jiao Yun acredita que, no futuro, haverá mais produtos brasileiros de “alto valor agregado” no mercado chinês, como forma de equilibrar a balança comercial entre os dois países. (macauhub)

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