Excesso de liquidez é um risco para a economia angolana, diz banco português BPI

15 May 2006

Lisboa, Portugal, 15 Mai – A economia angolana vive um período de excesso de liquidez, devido ao aumento da entrada de moeda estrangeira, que a coloca em risco de inflação e subida das taxas de juro, afirma o banco português BPI no seu último relatório sobre Angola.

Para a analista Cristina Casalinho, directora do departamento de estudos do BPI, “o excesso de liquidez”, em dólares e kuanzas, “poderá redundar em regresso da inflação a prazo, mas sobretudo agravamento do actual desequilíbrio económico, manifesto na quase ausência de estruturas produtivas”.

Graças principalmente às receitas petrolíferas e da venda de diamantes, actualmente “as entradas de fundos em moeda estrangeira superam a capacidade de absorção pela economia, rareando alternativas de aplicação dos meios existentes”.

O BPI, que detém o maior banco privado angolano, o Fomento, refere que o governo angolano “está sensibilizado” para o problema, e sugere a amortização da dívida externa, aumento das reservas cambiais e ampliação da dotação das receitas petrolíferas aos fundos de investimento em activos não-angolanos.

Outra sugestão é a criação do mercado monetário, para o que é “indispensável que as autoridades monetárias se disponham a absorver o excesso de kuanzas”, de que todos os bancos são excedentários, “mediante uma operação considerável de emissão de instrumentos de secagem de fundos”, como títulos públicos com maturidades longas.

O BPI afirma ainda que o Tesouro angolano deverá dar o exemplo, recorrendo ao mercado interno, porque “se, havendo poupança interna e taxas de juro baixas, as autoridades não recorrem ao mercado local, preferindo financiar-se no exterior, implicitamente questionam a credibilidade da política económica em curso”.

Apesar deste riscos, o banco considera que a posição externa de Angola é actualmente “confortável”, graças à subida do preço e produção de petróleo, de condições de financiamento externo mais favoráveis, e várias linhas de crédito à disposição, entre as quais avulta a disponibilizada pela China, no valor de três mil milhões de dólares.

A utilização desta, a utilizar até final deste ano, “tem sido mais lenta do que o previsto, devido à novidade de apresentação de projectos de investimento para aprovação junto das autoridades”, o que obrigou a que a maioria dos promotores locais “tivesse de adquirir formação para elaboração de propostas”.

Para o BPI, Angola é actualmente “uma das economicas com maior expansão potencial ao longo da década”, e deverá crescer acima de 20 por cento este ano e no próximo.

O relatório foi elaborado após uma visita a Angola dos responsáveis pelos estudos económicos do banco português. (macauhub)

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