Três mil candidatos a 600 vagas nas obras da ponte sobre rio Zambeze, em Moçambique

16 May 2006

Maputo, Moçambique, 16 Mai – Três mil pessoas já apresentaram as suas candidaturas para cerca de 600 vagas nas obras da ponte sobre o rio Zambeze, centro de Moçambique, cuja construção efectiva arranca em Agosto, disse hoje ao Macauhub fonte do empreiteiro.

O número de 600 vagas que serão abertas com a construção da ponte, a cargo do consórcio de empresas portuguesas Mota/Engil-Soares da Costa, é apenas uma estimativa da força de trabalho que o empreendimento vai exigir nos próximos 36 meses.

“O total da mão-de-obra necessária ainda permanece no segredo dos deuses mas pensa-se que na fase de arranque o número seja de 200 trabalhadores e depois suba, pelo menos, até aos 600”, acrescentou a mesma fonte.

A maior parte dos três mil candidatos inscreveu-se na Administração Distrital de Caia, em Sofala, província de Sofala, aguardando pelas necessidades de mão-de-obra que os trabalhos vão impor.

“Não podemos de modo nenhum fixar um número de trabalhadores para a obra, serão os empreiteiros que vão dizer em cada fase aqueles que serão necessários”, disse ao Macauhub Elias Paulo, director do Gabinete da Ponte sobre o Zambeze.

Para além destes, pensa-se que a ponte dê trabalho indirecto a mais de duas mil pessoas.

A ponte sobre o rio Zambeze, designada Ponte da Unidade Nacional, é o maior empreendimento realizado em Moçambique depois da independência, em 1975, e vai permitir a ligação entre o Sul, centro e Norte do país.

Actualmente, o trânsito que circula na estrada nacional número 1 tem que recorrer ao serviço de batelões para o atravessamento do rio, na fronteira das províncias de Sofala e da Zambézia, situação que frequentemente provoca a demora de vários dias numa das suas margens.

Quando concluída, a Ponte da Unidade Nacional terá um comprimento de 2,3 quilómetros e 16 metros de largura, a qual permite duas faixas de rodagem e uma área de bermas e passeios com cerca de nove metros.

A sua construção, orçada em 80 milhões de dólares norte-americanos e comparticipada pela União Europeia e pelos governos de Itália, Japão e Suécia, foi atribuída àquele consórcio português na sequência de um concurso internacional.

O arranque oficial dos trabalhos teve início em Fevereiro, com o lançamento da primeira pedra pelo presidente moçambicano, Armando Emílio Guebuza, e actualmente os técnicos encontram-se na fase de projecção do traçado da ponte.

O projecto retoma estudos anteriores à independência, por Edgar Cardoso, o grande engenheiro de pontes português, mas, segundo o projectista Tiago Mendonça, da empresa Betar, “a nova ponte tem um perfil mais longo”.

Em Agosto, no máximo em Setembro, iniciam-se os trabalhos físicos de construção, “que, basicamente, é a mobilização por parte do sub-empreiteiro que vai fazer as fundações”, segundo Elias Paulo.

Para além deste empreendimento, em Moçambique está igualmente em marcha a construção da ponte sobre o rio Limpopo, a cargo da empresa portuguesa Teixeira Duarte, e da ponte sobre o rio Rovuma, de ligação de Moçambique à Tanzânia, a ser construida por uma empresa chinesa. (macauhub)

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