União Europeia, China, EUA e Brasil são âncoras procuradas por Cabo Verde para manter o seu desenvolvimento

22 May 2006

Cidade da Praia, Cabo Verde, 22 Mai – Cabo Verde, pequeno Estado insular da África Ocidental, sem recursos naturais abundantes, conseguiu em 30 anos de independência, chegar ao topo do Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD).

É considerado pela comunidade internacional um caso “exemplar” em África em capítulos tão distintos como a democracia, os direitos humanos ou mesmo a qualidade de vida alcançada.

Mas esta situação tem um preço elevado que Cabo Verde se prepara para pagar quando, provavelmente em 2008, deixar de pertencer ao Grupo de Países Menos Avançados (PMA) do Conselho Económico e Social (ECOSOC) das Nações Unidas, transitando para um patamar mais elevado.

Subir o degrau que conduzirá o arquipélago ao Grupo de Países de Desenvolvimento Médio (PDM) do ECOSOC significa para Cabo Verde ver diminuído o apoio internacional que, até aqui, permitiu os actuais níveis de desenvolvimento.

Em causa estão as benesses concedidas aos PMA em matéria de empréstimos com taxas de juro muito baixas, por vezes a um por cento, com longos períodos de amortização precedidos de intervalos longos onde estas obrigações são congeladas.

Aliado à boa governação reconhecida pelos parceiros internacionais, Cabo Verde soube utilizar estes meios para conquistas assinaláveis em várias matérias, com destaque para a Saúde e a Educação.

Mas estas facilidades vão chegar ao fim após um período de transição, consequente da condição de país de Desenvolvimento Médio.

Para enfrentar este desafio, que o Presidente da República, Pedro Pires, já qualificou como só comparável aos primeiros anos da independência, em 1975, Cabo Verde tem colocado a sua diplomacia em acelerado processo de procura de alternativas que permitam ao país manter o ritmo de crescimento económico e social.

E, na linha do horizonte deste objectivo, surgem as chamadas “âncoras”, onde o governo da Cidade da Praia quer garantir a continuação daquilo a que alguns chamam de “milagre” económico e social das ilhas.

A parceria especial com a União Europeia é um dos caminhos traçados no “mapa” do desenvolvimento cabo-verdiano, mas os seus governantes não têm sido parcos em deixar claro que o seu “mapa” tem outras possibilidades em diferentes latitudes e longitudes.

A China é uma das apostas fortes, com o executivo da Praia a colocar como possibilidades ser Cabo Verde uma porta de entrada dos fortes empreendimentos de Pequim no continente africano, para além de outras “mais-valias” que o arquipélago pode constituir para os interesses do gigante asiático nestas latitudes.

Mas não só. O Brasil, os Estados Unidos da América, a África do Sul e Angola não merecem menos “mimos” da diplomacia cabo-verdiana no que toca à apresentação das vantagens proporcionadas por Cabo Verde na geo-política e geo-economia global com o enfoque claramente colocado em África.

Como país de parcos recursos naturais, Cabo Verde tem, de forma nítida, as suas políticas apontadas para a construção de eixos de cooperação com as grandes potencias regionais e mundiais como forma de minimizar o impacte da ausência de meios e recursos naturais no seu desenvolvimento.

A sua localização geográfica, a meio caminho da Europa, das Américas e de África, no Atlântico médio, é o grande trunfo que Cabo Verde apresenta ao mundo que, cada vez mais pequeno na esteira do acelerado processo de globalização, olha com acrescido interesse para estas pequenas ilhas de pouco mais de 450 mil habitantes. (macauhub)

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