Barragem financiada por banco chinês reforça abastecimento de água a Maputo

23 May 2006

Maputo, Moçambique, 23 Mai – O abastecimento de água à capital moçambicana vai ser reforçado com a futura barragem de Moamba Major, nos arredores de Maputo, cuja construção é financiada em 300 milhões de dólares pelo banco chinês Export-Import (Exim).

O financiamento faz parte do pacote de investimentos desenvolvido pelo Banco Exim em Moçambique, centrado sobretudo na construção de Mpanda Ncua, a segunda hidroeléctrica no rio Zambeze, nas redondezas da de Cahora Bassa, e onde serão aplicados 3,2 mil milhões de dólares.

A barragem de Moamba Major, no rio Incomati, a cerca de 80 quilómetros a Sul de Maputo, é um dos projectos desenvolvidos pelas autoridades moçambicanas para dar resposta ao grande aumento no consumo de água e de electricidade na capital moçambicana.

Entre 2000 e 2004, as ligações domiciliárias em meios urbanos, sobretudo em Maputo, passaram de 621 mil para 762 mil, uma tendência que se verificou igualmente na taxa de cobertura por fontanários, que passou de 31 para 36 por cento.

“A construção da barragem da Moamba Major visa o reforço da capacidade de abastecimento de água à cidade de Maputo e arredores, devido a uma previsão na queda da capacidade de fornecimento da barragem dos Pequenos Libombos, que actualmente assegura o abastecimento à capital”, disse ao Macauhub Joaquim Cossa, assessor do ministro das Obras Públicas e Habitação.

Cossa acrescentou que o financiamento de 300 milhões de dólares pelo banco Exim se destina à realização “dos estudos do impacto ambiental, do projecto executivo e da construção da Barragem da Moamba Major”, que poderá arrancar ainda este ano.

Apesar de ser um dos países da África Austral melhor servido por rios e cursos de água, Moçambique dispõe apenas de 12 médias e grandes barragens, que se tornam insuficientes para suprir o crescente consumo e também para atenuar os efeitos de secas e de inundações a que é vulnerável.

O acesso à água potável e a gestão dos recursos hídricos é um dos factores determinantes no combate à pobreza absoluta, que afecta mais de metade da população moçambicana que não tem capacidade para reagir a crises motivadas por desastres naturais, como secas e inundações.

Dados a que o Macauhub teve acesso referem que, com excepção da barragem de Cahora Bassa, os restantes diques existentes no país garantem uma capacidade de armazenamento de 330 m3 per capita, o que coloca Moçambique na cauda dos países da região em termos de existência daquelas infra-estruturas.

E, segundo o Banco Mundial, se não forem tomadas medidas para atenuar o efeito das catástrofes naturais, o seu custo na economia do país poderá ascender a 3 mil milhões de dólares até 2030.

Um estudo da Direcção Nacional de Águas de Moçambique revela que 39 distritos atravessados pelos rios Maputo, Umbeluzi, Incomati, Limpopo, Save, Pungué, Zambveze e Licungo são, actualmente, vulneráveis às cheias.

O plano quinquenal do governo do presidente Emílio Guebuza tem como objectivo até 2009 aumentar a cobertura de abastecimento de água até 60 por cento, servindo quatro milhões de pessoas nas zonas urbanas e prosseguir um plano de obras que garanta melhor regularização e armazenamento de águas.

Para além da barragem de Moamba Major, o plano quinquenal prevê o início de trabalhos para os projectos das barragens de Mapai, no rio Limpopo, e de Bué Maria, no rio Pungué. (macauhub)

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