Turismo é o sector que mais investimento estrangeiro atrai em Cabo Verde

29 May 2006

Cidade da Praia, Cabo Verde, 25 Mai – O investimento directo estrangeiro (IDE) em Cabo Verde passou de 119 milhões de dólares em 2000 para 250 milhões cinco anos mais tarde com o turismo a ser o principal sector de destino.

Silvino Castro, director nomeado para o departamento de Apoio aos Investidores Externos da Cabo Verde Investimentos (CVI), entidade que gere esta área da política económica do arquipélago, afirmou ao macauhub que o “sucesso” visível se deve ao aproveitamento do potencial turístico do país.

Actualmente os países no topo da origem do IDE são a Itália, com mais de 141 milhões de dólares em investimento directo externo aprovado no período 2000-05, seguindo-se a Espanha (116 milhões), Portugal, com 46 milhões de dólares e a Alemanha com pouco menos de 15 milhões.

Para o ano de 2006, embora a CVI ainda não disponha de dados oficiais, as previsões apontam, de acordo com Silvino Castro, para um “acentuado crescimento”, na linha daquilo que tem sucedido desde 2000.

Um dos indicadores de crescimento do investimento estrangeiro vem da República Popular da China, onde o investidor de Macau David Chaw pretende erguer um complexo que inclui, entre outras valências, um casino, hotel e restaurantes no ilhéu de Santa Maria, situado a escassos 200 metros da baía da Gamboa, na capital cabo-verdiana, Cidade da Praia.

O valor estimado para este projecto “deverá ultrapassar largamente 100 milhões de dólares”, embora as tramitações legais para que as obras possam arrancar estejam ainda em fase de conclusão.

No entanto, o projecto de Chaw para a Cidade da Praia, para além de fazer subir a China para o topo dos países origem do investimento estrangeiro em Cabo Verde, vai alterar radicalmente o actual cenário turístico no arquipélago bem como a fisionomia da principal urbe das ilhas crioulas.

Para já, um dos sinais evidentes de que este investimento com origem em Macau poderá ser rapidamente materializado, depois de uma visita que David Chaw realizou a Cabo Verde há cerca de dois meses, é a decisão do governo da Praia em iniciar o processo de desafectação do ilhéu de Santa Maria do mapa das reservas ecológicas do arquipélago, abrindo as portas à edificação.

Outro dos investimentos tidos pela CVI como exemplo e indicador para o esperado crescimento do investimento directo estrangeiro na ilha de Santiago é o projecto inglês “Sambala Village”, localizado na zona de São Francisco, a 20 quilómetros da capital.

Na primeira fase, em 2006, o “Sambala Village” consubstanciará a injecção de 56 milhões de dólares na economia nacional, sendo o projecto global de investimento superior a 650 milhões de dólares, faseado ao longo dos próximos anos.

A ilha de Santiago, onde se encontra a Cidade da Praia, perante este cenário, “começa igualmente a disputar com as ilhas do Sal e da Boa Vista, essencialmente viradas para o turismo de praia e sol, e de são Vicente, a capacidade de captação de investimento externo”, sendo o projecto de Chaw e o “Sambala Village” dois dos exemplos, sublinha Silvino Castro.

No “ranking” das ilhas de Cabo Verde, nove habitadas, o Sal surge em primeiro lugar no top do Investimento Directo Externo acumulado entre 2000 e 2005, com 181 milhões de dólares, São Vicente(159) e Santiago 118 milhões.

O investimento externo é ainda um dos principais responsáveis pela evolução considerada pela comunidade internacional como positiva da economia cabo-verdiana, dado confirmado pela evolução anual do PIB “per capita”, que passou de 1484 dólares em 2000 para 1930,2 em 2005.

No entanto, a concentração deste investimento com origem externa no sector do turismo gera “alguma preocupação”, embora, como explica Silvino Castro, “o próprio turismo arrasta outro tipo de investimento pelo leque alargado de exigências que contêm”.

A verificação desta concentração no turismo é fácil de obter ao analisar os dados da CVI da qual ressalta o facto de os 250 milhões de dólares aprovados entre 2000 e 2005, 231 estarem ligados ao turismo e apenas 12 ao sector da indústria.

Há, no entanto, uma dado que Silvino Castro sublinha: “A concretização de projectos é actualmente de cerca de 85 por cento, quando em anos anteriores grande parte destes não saiam do papel”. (macauhub)

MACAUHUB FRENCH