Reflorestação no Niassa vai criar 15 mil empregos até 2020

1 June 2006

Maputo, Moçambique, 01 Jun – A reflorestação de 160 mil hectares no Niassa vai criar 15 mil empregos até 2020, no âmbito de iniciativas empresariais na província mais periférica e despovoada de Moçambique, disseram ao Macauhub fontes ligadas ao projecto.

A área que será reflorestada representa um imenso salto num sector que, actualmente e em todo o país, só abrange 25 mil hectares de terreno.

“Quando iniciámos o projecto definimos claramente que visávamos investidores éticos, responsáveis e internacionais”, disse ao Macauhub Monika Branks, uma consultora que trabalha com a Fundação Malonda, instituição que canaliza investimento para o Niassa.

Em resultado de um convite dirigido em 2003 a diversos investidores, dois grupos, um liderado por capitais suecos e outro com financiamento alemão, encontram-se já a trabalhar no início da reflorestação dos 160 mil hectares, processo que demorará cerca de 15 anos mas que já emprega 450 pessoas.

O total do investimento que cobre um planalto em torno de Lichinga, capital provincial, é de 110 milhões de dólares.

“Com 160 mil hectares plantados estamos na fronteira económica que permite sustentar a linha férrea” entre o porto de Nacala, na província de Nampula, e Lichinga, defendeu Monika Branks.

Actualmente, a linha funciona quase esporadicamente em toda a sua extensão e tem os maiores problemas no troço Lichinga-Cuamba, cujos cerca de 300 quilómetros podem demorar mais de 48 horas a serem cobertos.

O processo de reflorestação, que se centra no eucalipto, pinheiro e teca, é um dos projectos que a Fundação Malonda desenvolve para a província do norte, que faz fronteira com a Tanzânia e o Maláui e tem no lago Niassa o seu principal ex-libris.

“Há distritos na província que têm mais elefantes do que pessoas e, antigamente, quando se falava no Niassa as pessoas tinham a ideia de que era no fim do mundo. Mas as coisas estão a mudar”, disse Augusto Tembe do Nakosso-Centro de Negócios do Niassa, igualmente ligado à Fundação Malonda.

O jovem advogado, que intermedeia conflitos e presta serviços de apoio jurídico na província, exemplifica a “mudança” com os seis voos semanais que ligam Maputo a Lichinga e a persistência de um “pensamento muito positivo no Niassa”.

“A reflorestação já representa 30 mil dólares em salários todos os meses. Pode parecer pouco e, se calhar é, mas são 30 mil dólares que não existiam e que já mexem na economia local das comunidades”.

Os promotores de investimento tornam agora a voltar-se para o mercado internacional para o financiamento de um projecto turístico em Marrupa, no coração da província, que pretende “ligar um percurso de aventura entre o lago Niassa e as praias de Pemba”, estas já na província de Cabo Delgado.

O projecto, que ocupará uma área de 110 mil hectares, vai servir para safaris e caça, destinando-se a turistas de alto rendimento.

A Fundação Malonda anunciou igualmente já ter áreas aprovadas para o cultivo de produtos “de muito alto valor”, como morangos, amoras, frutos secos, entre outros, para exportação “fora de época” para o mercado europeu e procura parceiros para a exploração de bio-fuel no sul da província.

“A indústria florestal tem um impacto muito grande nas economias dos países e pode ser o motor do desenvolvimento do Niassa. Se planificarmos bem e produzirmos bem, o Niassa ser um dia uma das províncias mais ricas de Moçambique”, prometeu Monika Branks. (macauhub)

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