Banco de Cabo Verde prevê abrandamento de crescimento económico para 5,5 por cento

7 June 2006

Cidade da Praia, Cabo Verde, 07 Jun – O crescimento da economia de Cabo Verde deverá abrandar este ano para entre 5,0 e 5,5 por cento, num cenário de aumento da inflação e do défice orçamental do Estado, revelou o Banco de Cabo Verde.

No relatório semestral ao governo, apresentado no final da semana passada, o banco prevê para este ano um “arrefecimento do crescimento económico”, face aos estimados 6,4 por cento registados em 2005, “não obstante o contributo mais favorável da procura externa líquida, dado o bom desempenho das exportações relativamente às importações”.

O Produto Interno Bruto do arquipélago está nesta altura sob pressão do “abrandamento da procura interna, que reflecte o comportamento do consumo em geral e do investimento público”, afirma o banco, que tem como governador Carlos Burgo.

De acordo com as previsões do banco, o investimento público deverá aumentar 9,1 por cento este ano, menos cinco pontos percentuais do que em 2005, enquanto que o crescimento do investimento privado vai acelerar de 4,4 por cento para 6,5 por cento.

A impulsionar a injecção de capital privado na economia surge “a conclusão de alguns projectos de investimento, sobretudo relacionados com o investimento directo estrangeiro no sector do turismo, e o previsível aumento do crédito ao sector privado, face às condições de financiamento mais favoráveis”, refere o banco.

O consumo privado deverá continuar a abrandar este ano, crescendo em torno de 6,8 por cento, menos 1,6 pontos percentuais do que em 2005.

O Banco de Cabo Verde projecta para este ano uma taxa de inflação de 4 a 5 por cento, um forte crescimento em relação ao ano passado, motivado pela subida do preço dos combustíveis e suas repercussões noutros sectores, nomeadamente o dos transportes, e ainda por um “eventual mau ano agrícola”, traduzido numa subida do preço dos produtos alimentares, já sentida nos meses mais recentes, em dados apurados pelo instituto de estatística.

A procura externa deverá continuar a melhorar, sobretudo devido às exportações líquidas de serviços, relacionadas com o turismo, e às transferências oficiais e correntes de capitais.

Neste cenário, adianta, as reservas internacionais de Cabo Verde vão continuar a crescer este ano, atingindo 3,6 meses de importações.

Os principais riscos para a economia, salienta o banco, estão no aumento da inflação, agravamento do défice público e excesso de liquidez.

O défice deverá crescer de 3,1 por cento para 4 por cento, devido ao abrandamento do crescimento das receitas fiscais e aumento das despesas correntes do sector público, particularmente com pessoal (12,5 por cento) e das transferências e subsídios (17,1 por cento).

O excesso de liquidez é “preocupação central da autoridade monetária”, que tem vindo nos últimos meses a tomar medidas para a conter, nomeadamente reduzindo o coeficiente das disponibilidades mínimas de caixa e emitindo Títulos de Intervenção Monetária. (macauhub)

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