Governador do Banco de Cabo Verde defende aumentos salariais “moderados” para conter inflação

9 June 2006

Cidade da Praia, Cabo Verde, 09 Jun – O governador do Banco de Cabo Verde, Carlos Burgo, defendeu “moderação” nos aumentos salariais, actualmente em negociação entre governo e sindicatos, para conter a inflação e assegurar a competitividade do país.

As declarações de Burgo surgem numa altura em que os sindicatos se manifestam a favor de um aumento salarial de cinco por cento, ameaçando mesmo com o recurso à greve geral, se as suas reivindicações não forem atendidas, enquanto que o governo propõe um aumento em linha com a inflação prevista no Orçamento, na casa dos três por cento.

Após uma audiência com o primeiro-ministro, José Maria Neves, o governador do banco central afirmou que Cabo Verde tem de adoptar “moderação salarial” para impedir uma escalada da inflação, até porque esta não pode ultrapassar a da União Europeia, no âmbito do acordo de paridade cambial existente.

A subida do preço do petróleo, afirmou citado pela agência Inforpress, implica “ajustamentos aos choques externos” e “menos rendimento nacional”, mas o poder de compra deve sustentar-se no aumento da produtividade e da competitividade da economia, em vez dos salários.

“Com o preço do petróleo mais elevado, temos menos rendimento nacional, pelo que temos que nos ajustar a esta realidade”, e não “brigar pela defesa de uma parte de um bolon que ficou objectivamente mais pequeno”, afirmou, numa referência às negociações que opõem governo e sindicatos. Burgo apelou ainda aos sindicatos para que tenham em conta o interesse da economia do país, porque “quanto melhor estiver a economia, melhor estará Cabo Verde”.

A audição de Carlos Burgo surge na sequência de uma ronda de contactos promovidos pelo primeiro-ministro esta semana, em que participaram ainda Orlando Mascarenhas, da Câmara de Comércio do Sotavento, e Alfredo Barbosa, da Associação Comercial cabo-verdiana. (macauhub)

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