Brasil e China iniciam cooperação em infra-estruturas energéticas

12 June 2006

Pequim, China, 12 Jun – O Brasil vai contar com a colaboração da China na revitalização dos parques de produção de energia termoeléctrica de Manaus e Macapá, no estado de Amapá e de Candiota, no Rio Grande do Sul, disse hoje Márcia Donner, conselheira económica da embaixada brasileira em Pequim.

Segundo Donner, os dois países vão também cooperar na construção do Gasene (Gasoduto Sudeste-Nordeste), a rede de escoamento de gás natural com 1.200 quilómetros de extensão que ligará as regiões do nordeste e do sudeste brasileiro, que será operada pela Petrobras, a petrolífera nacional brasileira, e será construída pela unidade de construção de infra-estruturas da Sinopec, a petrolífera estatal chinesa que é a maior da Ásia em capacidade de refinaria.

Os novos projectos de cooperação entre os dois países decorrem da recente formalização do acordo de infra-estruturas de construção para a geração energética, que foi assinado em Pequim entre o ministro brasileira das Minas e da Energia, Silas Rondeau, e por Zhang Guobao, um dos vice-presidentes da Comissão Nacional de Reforma e Desenvolvimento (CNRD), o departamento governamental chinês responsável pela política energética e pela coordenação e planificação económica.

“É um acordo de cooperação entre os dois governos, que cria um guarda-chuva institucional para facilitar a cooperação entre empresas dos dois países e vai permitir a revitalização dos parques termoeléctricos energéticos brasileiros, uma área em que a China tem uma notável competência, devido à importância do carvão enquanto combustível na matriz energética chinesa,” referiu Márcia Donner.

Os dois países criam assim uma base para o que será uma operação de importação e financiamento de equipamentos chineses para as obras de revitalização dos parques termoeléctricos brasileiros, adiantou a responsável.

“É um acordo com projectos muito específicos, de grande importância dentro do quadro do desenvolvimento brasileiro e de grande valor económico,” afirmou Márcia Donner. Fontes empresariais chinesas do sector energético contactadas pela macauhub adiantaram que o valor dos negócios decorrentes do acordado entre os dois países poderá chegar aos 3.000 milhões de dólares americanos.

De acordo com o documento assinado pelos responsáveis dos dois países, o grupo CITIC (China International Trust and Investment Corporation) assegurará o financiamento e os equipamentos necessários aos projectos de revitalização dos parques energéticos, enquanto a execução do projecto pelo lado brasileiro estará a cargo da eléctrica brasileira Electrobrás.

Os responsáveis políticos dos dois países finalizaram ainda a criação de um painel de nível governamental para coordenar a cooperação na área energética entre o Brasil e a China, através da assinatura de um Memorando de Entendimento que formaliza a criação de uma subcomissão de energia e mineração ao abrigo da COSBAN, a comissão de alto nível que coordena as relações bilaterais entre a China e o Brasil, criada a 24 de Maio de 2004 quando o presidente brasileiro Luís Inácio Lula da Silva visitou a China.

“O memorando de entendimento identifica projectos prioritários e novas ideias e áreas a explorar em todas os sectores de geração energética, de mineração, de geologia e exploração de recursos minerais. Um leque completo que vai do petróleo ao gás, passando pelas energias renováveis,” referiu Márcia Donner.

A comissão promoverá o”intercâmbio de informações sobre políticas e regulações, estratégias de desenvolvimento e projectos importantes nas esferas de energia e mineração.”

A economia chinesa é três vezes maior que a brasileira, e a cada ano os dois países vêm intensificando as suas relações comerciais. O comércio bilateral atingiu os 14,817 mil milhões de dólares americanos em 2005, com o Brasil a exportar 9,989 mil milhões de dólares e a importar 4,827 mil milhões, segundo números do Departamento de Alfândegas chinês.

O Brasil exporta acima de tudo matérias-primas para a China, sendo o minério de ferro, a soja, o óleo de soja e os produtos siderúrgicos responsáveis pela maioria do valor das exportações.

O Brasil é o maior parceiro comercial chinês na América Latina, enquanto a China é o terceiro maior parceiro comercial do Brasil.(macauhub)

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