Relações China-CPLP reforçam relações entre os países de língua portuguesa, diz revista da universidade de Yale

26 June 2006

Pequim, China, 26 Jun – O Fórum Macau reforça os laços entre os membros da Comunidade de Países de Língua Portuguesa (CPLP), para além dos laços bilaterais entre os países membros e a China, defendem dois académicos na revista de estudos internacionais da Universidade de Yale, uma das mais prestigiadas do mundo.

“Com o antigo enclave português de Macau a servir de plataforma, a China organizou uma série de iniciativas que não só aproximam entre si os países de expressão oficial portuguesa, mas também os aproximam da China,” defendem Loro Horta e Ian Storey, na publicação do Centro de Estudos para a Globalização daquela universidade americana, referindo-se ao “Acordo de Comércio e Cooperação assinado em 2003 entre a China e a CPLP”.

Em 2003, por iniciativa do governo central chinês, a China e ao países da CPLP criaram o Fórum Macau, que tem como designação oficial Fórum para a Cooperação Económica e Comercial entre a China e os Países de Língua Portuguesa (Macau) e cuja organização cabe ao governo da Região Administrativa Especial de Macau (RAEM).

“Os métodos chineses são perspicazes, demonstrando a cada vez maior sofisticação da diplomacia chinesa. Ao contrário de outros poderes, que mantêm relações próximas com países específicos da CPLP mas têm pouca ou nenhuma interacção com outros membros, a China não limita o seu relacionamento aos países da CPLP numa base bilateral, mas como um grupo,” referem os analistas.

Ian Storey é investigador e professor no Centro para os Estudos de Segurança da Ásia-Pacífico, em Honolulu, Havai, enquanto Loro Horta, investigador do Instituto de Defesa e Estudos Estratégicos da Universidade de Nanyang, em Singapura, é filho de José Ramos-Horta, ministro demissionário dos Negócios Estrangeiros de Timor-Leste, país-membro da CPLP.

Storey e Horta consideram que a estratégia de realçar os interesses de Pequim junto da CPLP tem sido bem sucedida, com o auxílio, na vertente diplomática, de “um número impressionante de diplomatas que falam português, muitos dos quais estiveram colocados por longos períodos de tempo em países de língua portuguesa.”

A busca de fontes alternativas de petróleo para garantir a segurança do abastecimento de petróleo essencial para o rápido crescimento económico da China é o objectivo principal, dizem os analistas, da relação de Pequim com a comunidade de 230 milhões de pessoas espalhadas por Angola, Brasil, Cabo Verde, Guiné-Bissau, Moçambique, Portugal e Timor Leste.

Pequim e S. Tomé e Príncipe, que é também membro da CPLP, não têm relações diplomáticas, uma vez que S. Tomé mantém relações diplomáticas com Taiwan, ilha que tem um governo próprio desde 1949 e que Pequim considera uma província separatista, a unir a todo o custo com a República Popular da China.

“Mais de 60 por cento das importações de crude vêm do Médio Oriente e Pequim considera esta dependência como uma vulnerabilidades estratégica devido à contínua instabilidade política e à preponderância militar dos Estados Unidos na região. É por isso que a China tenta diversificar a importação de energia das fontes tradicionais no Golfo Pérsico para outras fontes, incluindo países da CPLP como Angola, Brasil, Moçambique e Timor-Leste,” consideram Storey e Horta.

Os analistas dizem ainda que os outros motores da cooperação entre a China e a CPLP são o interesse de Pequim na exploração “dos abundantes recursos naturais dos países da CPLP para alimentar o vertiginosos crescimento económico chinês,” e o reconhecimento chinês de que “230 milhões de pessoas é um enorme mercado para as manufacturas chinesas.”

No plano diplomático, Storey e Horta dizem que a organização dos países de expressão portuguesa é uma comunidade diplomática de que Pequim poderá fazer uso para reduzir o espaço político internacional de Taiwan.

É para prevenir, dizem, que Cabo Verde e a Guiné-Bissau “se voltem para Taiwan, tal como fez S. Tomé e Príncipe em 2002,” que Pequim mantém um presença diplomática nestes países, apesar do que consideram ser a “crónica instabilidade” da Guiné-Bissau e do “pequeno tamanho e falta de recursos naturais” de Cabo Verde.

Um dos exemplos que os dois autores dão da política chinesa de apoio à CPLP é a decisão que Pequim tomou em Maio passado de atribuir à Guiné-Bissau crédito de um milhão de dólares para financiar organização no país africano da cimeira de chefes de estado da CPLP, que vai decorrer no final de 2006.

“A CPLP é raramente uma prioridade na política global mas, contra o pensamento convencional, a China empenha-se diligentemente na diplomacia com a organização, antecipando benefícios como novas fontes energéticas e mercados para os bens chineses,”concluem Storey e Horta.(macauhub)

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