Sonangol deve antecipar próximos concursos de concessões em Angola

26 June 2006

Lisboa, Portugal, 26 Jun – A petrolífera estatal angolana Sonangol deverá antecipar a próxima ronda de concursos de concessões petrolíferas, prevista para meados de Dezembro deste ano, afirma o banco BPI.

No seu último relatório sobre a economia angolana, o banco português afirma que a ronda deverá ser antecipada para tirar partido do elevado preço do petróleo nos mercados, que tem originado licitações recorde nos concursos feitos este ano.

O BPI lembra a “grande euforia em torno dos resultados da alocação para a área remanescente do Bloco 15”, com com oferta-recorde de 902 milhões de dólares feita pela Eni, e, no concurso do mês passado, a oferta superior a 2 mil milhões de dólares do consórcio Sinopec Sonangol para as áreas remanescentes dos blocos 17 e 18.

Angola, salienta o analista Pedro Ferreira da Silva, ultrapassou a Arábia Saudita e é já o maior fornecedor de petróleo à China, que importou do país africano perto de 456 mil barris por dia nos primeiros dois meses do ano, 15 por cento do total das suas importações petrolíferas.

As relações entre a China e Angola no petróleo “vão mais além do que o saldo comercial”, estendendo-se também ao projecto da refinaria, e o segundo maior produtor petrolífero da África sub-saariana tem vindo também a dar passos no sentido de parcerias com outro países neste sector, adianta.

Além do plano para uma “joint-venture” entre a Sonangol e uma petrolífera indiana, o governo tem vindo a anunciar fomentar planos de cooperação com a África do Sul e, mais recentemente, com Cuba, no sentido de diminuir a sua dependência em relação às exportações para a Europa ou
Estados Unidos.

“Tal como acontece com os restantes países produtores de petróleo, Angola terá de se preparar para o facto de a subida do preço do petróleo estar a incentivar as economias industrializadas a reabrirem programas de investimento em fontes alternativas de energia.Este impacto será tanto maior quanto maior for a dependência das economias das receitas provenientes da venda de petróleo bruto, como é o caso angolano”, afirma.(macauhub)

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