Empresariado angolano afirma-se aproveitando “janela única de oportunidade”

28 June 2006

Lisboa, Portugal, 28 Jun – O empresariado angolano está a afirmar-se no país, aproveitando a “janela única de oportunidade” criada pelo crescimento económico, liquidez e apoio das autoridades, defendeu o responsável da consultora Deloitte em Angola.

“A estratégia de angolanização da economia reflecte-se em todos os sectores estratégicos, incluindo o petrolífero, bancário, mineiro, segurador, e de construção, com alguns casos impressionantes de sucesso”, afirmou Pedro Barreto, “managing partner” da Deloitte, em artigo publicado em Lisboa.

Os empresários angolanos tiram assim partido da “feliz combinação de factores”, como o “considerável crescimento sustentado no preço e na produção de petróleo e a implementação bem sucedida do Plano de Estabilização do Governo”, bem como na “escassez crítica na oferta de produtos e serviços”, defende.

As últimas projecções do Fundo Monetário Internacional colocam a economia angolana a crescer em torno de 26 por cento este ano e apontam para uma média superior a 13 por cento ao ano entre 2007 e 2010.

Para Pedro Barreto, “o sector privado em Angola passa por uma fase única de transição, rotulada no meio empresarial angolano como momento de fronteira ou fase de arranque, que se prevê poder vir a durar ainda cerca de três anos”.

“Apesar de ainda não existir um índice de confiança dos empresários em Angola, é bastante claro que este momento está a ser encarado como uma janela única de oportunidade para posicionamento dos empresários angolanos nos sectores-chave da economia”, adianta.

Para o responsável da Deloitte, os principais constrangimentos são actualmente a carência de mão-de-obra qualificada, a fragilidade das instituições, a burocracia, deficiências de infra-estruturas, inexistência de mercado de capitais e um sistema financeiro pouco desenvolvido.

“Os factores críticos de sucesso neste mercado estão, portanto, muito ligados à capacidade dos empresários e gestores locais de ultrapassar ou gerir estes entraves, muitas vezes com o apoio decisivo de uma extensa rede informal de contactos”, refere.

A melhor forma de ultrapassar estas dificuldades, defende Barreto, está na criação de alianças estratégicas, “joint-ventures” com empresas angolanas, contratação de gestores locais, contratação de empresas de consultoria a operar no mercado angolano, entre outras. (macauhub)

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