Mina de titânio de Moma, em Moçambique, arranca este ano

10 July 2006

Maputo, Moçambique, 10 Jul – O início da actividade da mina de titânio de Moma, no Norte de Moçambique, foi antecipado para o final do ano, anunciou a empresa irlandesa Kenmare Resources, que explora aquele empreendimento.

No relatório anual de actividade, divulgado na passada semana, a Kenmare Resources anuncia que os trabalhos de construção da mina, orçados em 253 milhões de dólares, estão concluídos em 80 por cento, o que permite antecipar o início da actividade.

Em Setembro de 2005, os trabalhos de construção estavam nos 41 por cento de execução, segundo o mesmo relatório, que refere que se encontram já concluídos “os alojamentos permanentes, estradas” e outros trabalhos.

O mesmo documento acrescenta que a linha de transmissão de energia, de 170 quilómetros, está quase completa e que a ligação à rede nacional será feita brevemente.

Durante 2005 o custo de construção ascendeu a 113,7 milhões de dólares.

A construção da mina, contratada em Abril de 2004, está a cargo de um consórcio formado por empresas subsidiárias da australiana Multiplex e da sul-africana Bateman, e está a ser orientada a partir de um escritório baseado em Joanesburgo, África do Sul.

No local, encontram-se já, e em fase de montagem, duas dragas aspiradoras, que constituem parte do principal equipamento da Kenmare Resources.

Até ao final do ano, os construtores prevêem a construção de um lago essencial à actividade mineira e o início dos trabalhos de construção da unidade de separação dos minerais.

Nessa altura, haverá a maior concentração de operários e técnicos no local, num número que deverá rondar as 1700 pessoas, 700 das quais expatriadas.

A construção do projecto de areias pesadas de Moma sofreu os efeitos de se tratar de um local remoto, a 1300 quilómetros de Maputo, obrigando a grande engenho e a complexas operações logísticas para ultrapassar dificuldades iniciais, como o facto da linha telefónica mais próxima se situar a 240 quilómetros e da estrada para Nampula ser uma vereda aberta no mato.

A maior parte do equipamento teve que ser transportada por barcaças alugadas na Austrália e desembarcada na praia, e outro material foi enviado por via aérea em pequenos aparelhos que conseguem aterrar na pista de 1,5 quilómetros ali construída pela empresa irlandesa.

Temperaturas elevadas e o risco de malária tornaram ainda mais difíceis as operações que, no entanto, deverão concluídas antes da data prevista.

Na mina de Moma existem reservas de minerais de titânio, como ilmenite (101 milhões de toneladas), rutile (2,7 milhões de toneladas) e zircão (7,8 milhões de toneladas), essenciais para o fabrico de papel, plástico, tinta e outros materiais.

Quando a mina estiver na sua máxima capacidade de operação, o que deverá acontecer em 2007, prevêem-se produções anuais de 700 mil toneladas de ilmenite, 17 mil de rutile e 60 mil toneladas de zircão. (macauhub)

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