Novo chefe da diplomacia portuguesa quer dar maior atenção a África extra-lusofonia

10 July 2006

Lisboa, Portugal, 10 Jul – O novo ministro português dos Negócios Estrangeiros, Luís Amado, quer que a diplomacia portuguesa dê maior atenção aos países africanos fora do espaço da lusofonia, no qual diz ter sido concentrado demasiado esforço nos últimos anos.

Portugal, afirma Amado em entrevista ao Diário Económico, deve “dar atenção a outros países que são também importantes e onde tem até alguma potencialidade estratégica, como a África do Sul”, alargando “as relações bilaterais, que têm sido concentradas excessivamente nas relações com os países de língua portuguesa”.

“Nestas décadas, centrámos [Portugal] muito as nossas relações na recuperação e no reforço das relações bilaterais com os países africanos lusófonos e devemos dar muita atenção à nova abordagem multilateral que é hoje feita dos problemas de África”, adianta.

“Toda esta visão multilateral tem como pano de fundo a dinâmica política que o continente hoje conhece. A União Africana está activa enquanto organização multilateral e tem-se tornado num catalizador do continente”, adianta o novo ministro.

Luís Amado era até final do mês passado ministro da Defesa, tendo sido chamado à pasta dos Negócios Estrangeiros para substituir Diogo Freitas do Amaral, que abandonou o governo por motivos de saúde.

Na entrevista ao Diário Económico, publicada na passada sexta-feira, Amado defende ainda uma maior abrangência do trabalho da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP), nas vésperas da cimeira de Bissau, que vai marcar o décimo aniversário da organização.

“Temos de dar atenção à própria dinâmica da CPLP, que está muito centrada por haver vários Estados que a compõem que são africanos”, afirma Amado.

O novo chefe da diplomacia portuguesa que dar à economia um papel central no desenvolvimento das relações com os países africanos, mas admite que os constrangimentos orçamentais do seu Ministério são um obstáculo à expansão no terreno.

“Penso concentrar a nossa acção política com África no essencial das nossas relações económicas. Precisamos investir mais, comprar mais e vender mais para África”, afirma. (macauhub)

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