Geocapital de Stanley Ho entra no capital de Cahora Bassa

14 July 2006

Lisboa, Portugal, 14 Jul – A Mozacapital, ligada à Geocapital do empresário de Macau Stanley Ho, deverá entrar no capital da Hidroeléctrica de Cahora Bassa (HCB), do qual ficará de fora a África do Sul, noticiou a “newsletter” Africa Monitor.

A sociedade, à frente da qual se encontra o gestor luso-caboverdiano Ferro Ribeiro, destaca-se entre os potenciais accionistas moçambicanos da empresa gestora da maior hidroeléctrica da África Austral, aos quais o governo moçambicano deverá atribuir até 30 por cento do capital, adianta a mesma publicação.

No âmbito do acordo de transferência da barragem de Portugal para Moçambique, o Estado moçambicano vai aumentar para 85 por cento a sua participação, mas pretende reter apenas cerca de 55 por cento, directamente ou através da empresa pública de electricidade, EDM.

Portugal, possivelmente através da eléctrica pública EDP, ficará com os restantes 15 por cento, adianta a mesma publicação, editada em Lisboa.

De fora da HCB ficará a África do Sul e a sua eléctrica Eskom, que é o principal cliente da energia produzida pela hidroeléctrica situada no Songo, vale do Zambeze, província de Tete.

A pretensão sul-africana terá sido negada por razões estratégicas, permitindo a Moçambique ter um ascendente sobre o país vizinho, que enfrenta actualmente sérios problemas de abastecimento de energia.

Ainda segundo o África Monitor, o governo moçambicano já definiu o modelo de pagamento da dívida de perto de 1.000 milhões de dólares a Portugal, contrapartida para a transferência do controlo da barragem.

Do total em dívida, 250 milhões serão cobertos com fundos de tesouraria da HCB e os restantes 750 milhões recorrendo ao crédito externo, garantido por receitas futuras da empresa.

O sindicato bancário financiador ainda não está completamente formado, mas integrará a UBS, o Credit Suisse First Boston e o banco Rotschild.

Moçambique tentou obter financiamento, menos oneroso, junto do Banco Mundial, mas esta instittuição financeira rejeitou o pedido, que contrariava a sua política de encorajar a diminuição do peso do Estado na economia dos países em desenvolvimento. (macauhub)

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