Transportadora aérea Varig vendida por 24 milhões de dólares

21 July 2006

Rio de Janeiro, Brasil, 21 Jul – A VarigLog, ex- subsidiária de transportes da Varig, venceu quinta-feira o leilão de venda da companhia aérea, no Rio de Janeiro, pelo preço mínimo de 24 milhões de dólares.

A VarigLog foi a única empresa a participar do leilão, já que nenhum outro interessado efectuou até quarta-feira o depósito judicial de 24 milhões de dólares, condição exigida para participação no leilão de hoje.

A proposta da VarigLog, que venceu o leilão através da empresa Aero Transportes Aéreos S/A, inclui investimentos de cerca de 500 milhões de dólares na nova Varig, nos próximos anos.

Desse total, 150 milhões de dólares serão investidos nos próximos 30 dias, sendo que metade deverá ser depositada na conta da nova Varig 78 horas depois da venda ter sido homologada pelo Tribunal do Rio de Janeiro.

A companhia aérea foi dividida em duas partes, sendo que a “Varig antiga”, que não foi vendida, permanece com as dívidas de cerca de sete mil milhões de reais e com os actuais imóveis, avaliados em 120 milhões de reais, segundo a proposta da Variglog.

A “Varig antiga” vai operar com apenas um avião, na rota entre São Paulo e Porto Seguro (Estado da Baía), e terá 50 funcionários.

Os restantes nove mil funcionários serão despedidos nos próximos dias.

Criada em 1927, pelo piloto alemão Otto Ernst Meyer, a Viação Aérea Rio-Grandense (Varig) iniciou a sua primeira rota internacional em 1942, ligando Porto Alegre, capital do Estado do Rio Grande do Sul, a Montevidéu.

A partir de 1941 passou a ser controlada por Ruben Berta, então o primeiro funcionário da empresa, e, mais tarde, por uma fundação de trabalhadores da companhia com o mesmo nome.

Em 1986, a empresa foi obrigada a manter os preços das passagens aéreas, durante um dos planos económicos ditados pelo governo brasileiro, o chamado Plano Cruzado, resultando prejuízos para a companhia.

Quatro anos mais tarde, a Varig perdeu o monopólio dos voos internacionais entre as companhias brasileiras, o que levou a companhia a registar o seu primeiro prejuízo da história, agravado pelo aumento internacional do preço do petróleo.

Em 2003, a Varig perdeu a liderança do mercado doméstico brasileiro e iniciou operações de partilha de voos com a sua a principal concorrente, a TAM, como forma de diminuir custos.

O Conselho Administrativa de Defesa Económica (CADE), órgão responsável pela defesa da concorrência no Brasil, determinou o fim dos voos partilhados em 2005.

O fim das operações conjuntas agravou a situação financeira da companhia, que iniciou em Junho de 2005 o processo de recuperação judicial.

No fim do ano passado, a empresa aérea vendeu suas subsidiárias, a VEM (manutenção) e VarigLog para a Aero-LB e a Volo do Brasil, respectivamente.

A Aero-LB é uma empresa brasileira formada pelo fundo brasileiro Straus e pela Reaching Force, que tem como accionistas, em partes iguais, a portuguesa TAP e a Geocapital de Stanley Ho.

A crise da Varig agravou-se nos últimos meses, com a redução de 58 aviões em operação, em Dezembro de 2005, para apenas 13 este mês, o que resultou na diminuição de 83 por cento das receitas.

Nos 79 anos de história, a empresa aérea brasileira mais conhecida no estrangeiro já transportou mais de 120 milhões de passageiros. (macauhub)

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