Portugal deve atrair investidores chineses, afirma responsável comercial europeu

25 July 2006

Pequim, China, 25 Jul – O secretário-geral da Câmara de Comércio da União Europeia na China, Giorgio Magistrelli, defendeu segunda-feira em Pequim que Portugal se deve esforçar ainda mais para atrair o investimento chinês em busca de destinos de internacionalização.

“Onde Portugal poderia aprofundar o seu investimento, no seguimento daquilo que já vem fazendo, é na promoção do país como destino de investimento chinês. É o que os maiores países europeus, como a França, a Alemanha e o Reino Unido estão a fazer”, considerou Giorgio Magistrelli, o italiano que preside desde 2004 à Câmara de Comércio da União Europeia na China (CCUEC), em entrevista à agência noticiosa portuguesa Lusa.

“O facto é que a China se tornou uma fonte de investimento estrangeiro. As companhias chinesas estão muito interessadas em internacionalizar-se e isso poderia ser um grande valor para a economia portuguesa e um investimento com retorno para o estado português”, adiantou o responsável.

A câmara de comércio tem três membros empresariais portugueses – a empresa de tecnologia de comunicação CTTC Archway, cuja maioria do capital é detido pela Portugal Telecom, o Banco Nacional Ultramarino, um dos bancos emissores de Macau, pertença do grupo Caixa Geral de Depósitos e o escritório de advocacia Namorado Advogados, com sede em Lisboa.

A EUCCC é o maior grupo de influência das empresas europeias na China e assegura a comunicação regular entre o governo central, os governos locais e os representantes das empresas europeias na China.

A organização, que tem financiamento privado, iniciou actividade no ano 2000, contando com 50 membros, dois escritórios e 13 empregados.

Tem agora 920 membros, 35 trabalhadores e sete escritórios nas cidades em Pequim, Xangai, Tianjing (Norte do país), Cantão (capital da província de Guangdong, no Sul do país, fronteira a Macau), Shenyang (capital da província de Liaoning, no Nordeste da China), Nanjing (capital da província oriental de Jiangsu) e Xengdu (capital da província central de Sichuan).

Giorgio Magistrelli elogiou ainda o trabalho do ICEP- Portugal na China, dizendo ser “muito positiva” a entrada em funcionamento da delegação do instituto de promoção do comércio externo de Portugal em Xangai.

O reforço da presença chinesa do ICEP segue-se à identificação por parte do instituto português do Japão e da China como os países estratégicos na região Ásia-Pacífico, que se juntam aos outros países estratégicos como Espanha, Angola, Estados Unidos, Brasil, Rússia, Polónia e os países do Golfo Pérsico.

De acordo com os dados do ICEP, de Janeiro a Setembro de 2005, a China passou de 27º para quarto cliente de produtos portugueses.

Em 2005, o comércio bilateral com a China foi de cerca de 800 milhões de euros, com as exportações portuguesas a aumentarem 57,4 por cento entre Janeiro e Novembro de 2005, face ao ano anterior, a maior subida entre os países fora da União Europeia, segundo dados do instituto português de estatística. (macauhub)

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