Relações comerciais com Portugal mantêm-se prioritárias para Brasil, apesar de enfoque na China

7 August 2006

Lisboa, Portugal, 07 Ago – As relações económicas e comerciais com Portugal, e com a Europa em geral, mantêm-se prioritárias para o Brasil, apesar do enfoque dado actualmente à China e grandes economias em desenvolvimento, afirma o presidente brasileiro.

Em entrevista ao jornal português Expresso publicada no Sábado, Lula da Silva afirma que “as trocas [do Brasil] com a Europa continuam aumentando, e há muito espaço para o crescimento do comércio de bens e serviços e para os investimentos, sobretudo num momento em que o Brasil apresenta grande dinamismo em seu comércio exterior e inicia uma nova etapa de projectos de infra-estruturas”.

Isto, refere, “apesar de os fluxos comerciais com os países em desenvolvimento estarem crescendo com maior dinamismo”, em particular com a Índia, China e África do Sul.

Estes três países e as grandes economias em desenvolvimento são “uma das prioridades da política externa” brasileira, afirma Lula, mas esta “não é um projecto excludente”.

“O facto de procurarmos novas parcerias e oportunidades não significa que estejamos deixando de lado as nossas relações tradicionais com Portugal e com os demais países da Europa”, afirma Lula, que este ano se recandidata a um segundo mandato na presidência brasileira.

O presidente brasileiro afirma que “a intensificação dos laços económicos” com Portugal foi uma das prioridades dos últimos três anos e meio de mandato, e que “o crescimento da presença de empresas brasileiras em Portugal mostra as amplas oportunidades para construir parcerias e projectos comuns”.

Esta semana, o primeiro-ministro português visita o Brasil, retribuindo a deslocação de Lula a Lisboa, em Maio.

Na entrevista ao semanário português, Lula passa em revista algumas das principais “conquistas” do país em termos macro-económicos, como o pagamento da dívida ao Fundo Monetário Internacional, o aumento das exportações e o controlo da inflação, para concluir que “o caminho à frente está traçado”.

“Já está havendo, e nos próximos quatro anos haverá gigantescos investimentoss em infra-estrutura física e energética e na modernização do nosso parque produtivo”, afirma Lula.

O presidente chama ainda atenção para os programas de estímulo à micro-economia e afirma que o controlo da inflação deixa “aberto o caminho à redução das taxas de juro, que por tanto tempo tornaram a especulação financeira mais rentável que o investimento produtivo”.

Para Lula, “o Brasil de hoje, económica e socialmente, está muito à frente do de 2003 [quando foi eleito]. O país do apagão nos anos 2001-2002 tem hoje a sua segurança energética garantida”. (macauhub)

MACAUHUB FRENCH