Crescente comércio trans-fronteiriço leva empresários a criar Câmara de Comércio África do Sul – Moçambique

21 August 2006

Maputo, Moçambique, 21 Ago – O anúncio pelas estruturas empresariais sul-africanas e moçambicanas da criação da Câmara de Comércio África do Sul – Moçambique surge como uma reacção directa ao crescente comércio entre os dois países.

A renovação do porto de Maputo, estrategicamente colocado, e a aposta no Corredor de Desenvolvimento de Moçambique estimularam o movimento de mercadorias no valor de 2,8 mil milhões de randes por ano através da fronteira comum.

Para as empresas de logística particularmente bem posicionadas para a expansão, estes acontecimentos têm sido o catalizador para o delinear de nova estratégia.

Edmond Mack, da divisão de açucar da Cargo Carriers, afirma que as companhias de logística e de transportes cotadas na Bolsa de Valores de Joanesburgo que estão a movimentar volumes crescentes de mercadorias para Moçambique devem-no à localização do porto e à construção de infra-estruturas em Moçambique.

E acrescenta que as empresas de logística e transportes que servem África do Sul e Moçambique estão a beneficiar de um crescimento imenso, fundamentalmente devido ao porto de Maputo.

A razão para a atracção pelo porto de Maputo não é difícil de entender. Estrategicamente, a localização do porto para a exportação de alguns produtos como fruta e açucar, grandes contribuintes das economias das províncias tanto do Limpopo como de Mpumalanga, é mais próxima do que o de Durban.

O Corredor de Desenvolvimento de Moçambique é uma ligação infra-estrutural entre a África do Sul, Suazilândia e Moçambique e, além de ser uma via de transportes óbvia, está a ser explorada igualmente para potenciais gás natural e exploração mineira e também para redes de energia eléctrica.

Com acordos comerciais a serem negociados com a China e a Índia e o porto de Maputo sendo um importante ponto de saída no Oceano Índico, a importância deste corredor estrategicamente colocado não pode ser subestimada.

Para a Cargo Carriers, o comércio trans-fronteiriço não é novidade pois a companhia começou a operar em Moçambique nos anos 60 com uma pequena operação açucareira em Xinavane, uma área que tem estado a beneficiar de uma profunda reabilitação das suas indústrias de cana-de-açucar.

Inicialmente a empresa limitava-se a transportar cana-de-açucar das plantações para as fábricas mas, com o desenvolvimento que está a acontecer em Moçambique, a sua direcção decidiu abrir uma sucursal em Maputo operando a partir daí uma frota que transporta toda a espécie de produtos tanto no interior como para o exterior do país. (macauhub)

MACAUHUB FRENCH