Desemprego na China vai continuar a aumentar, apesar do crescimento económico

30 August 2006

Pequim, China, 30 Ago – O problema do desemprego na China vai continuar apesar do rápido crescimento económico do gigante asiático, avisou terça-feira um responsável político não-identificado citado pela agência noticiosa oficial chinesa Nova China.

“O crescimento económico depende cada vez mais da inovação tecnológica e do investimento de capital e por isso são necessários hoje em dia menos trabalhadores,” referiu em entrevista à Nova China o responsável político que a agência noticiosa identifica apenas como membro do Departamento Chinês de Estatística.

Desde o ano 2000, foram criados em média 7,5 milhões de novos postos de trabalho por ano, em comparação com a média anual de oito milhões que se registava no final da década de 1990, refere a Nova China.

Para lutar contra o desemprego, disse o mesmo responsável, Pequim planeia iniciar por toda a China programas de educação de trabalhadores no desemprego e apoiar a criação de novas industrias que dependam sobretudo de mão-de-obra, nomeadamente no sector de serviços.

No final do primeiro semestre do corrente ano, a China apresentava uma taxa de desemprego urbano de 4,2 por cento, igual ao mesmo período de 2005, mesmo apesar de um crescimento económico médio de 10,9 no primeiro semestre de 2006 e de um crescimento de 11,3 por cento no segundo trimestre do ano.

De acordo com a Nova China, a estagnação na criação de novos postos de trabalho deve-se ao maior crescimento das indústrias de base tecnológica e das indústrias de capital intensivo, em comparação com os sectores que necessitam de mais mão-de-obra.

A outra causa de desemprego normalmente avançada pelos estudos económicos é o despedimento de milhões de trabalhadores, à medida que as empresas estatais vão fechando ou reduzindo o seu tamanho, devido à crescente concorrência das empresas privadas, chinesas e estrangeiras.

Outra das causas do desemprego urbano é o êxodo em massa de trabalhadores rurais para as cidades, aumentando a oferta no mercado de trabalho. Calculam-se que vivam nos grandes centros industriais chineses cerca de 140 milhões de trabalhadores originários das províncias rurais. (macauhub)

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