Angola impulsiona “ressalto” de “robusta” economia da África sub-saariana em 2007

18 September 2006

Washington, Estados Unidos da América, 18 Set – A economia da África sub-saariana apresenta-se “robusta” e vai voltar a “aquecer” no próximo ano, depois de um abrandamento em 2006, sobretudo graças ao impulso de países produtores de petróleo como Angola e a Guiné Equatorial, prevê o Fundo Monetário Internacional (FMI).

Beneficiando da tendência de alta dos preços da matéria-prima nos mercados internacionais, as economias dos países produtores de petróleo deverão quase duplicar o seu ritmo de crescimento para 10,1 por cento no próximo ano, de acordo com o último relatório do FMI sobre a região, divulgado no sábado.

Este crescimento é possibilitado “principalmente porque a produção de petróleo está a crescer em Angola e na Guiné Equatorial”, sublinha o FMI.

Os restantes países deverão registar um crescimento de 4,6 por cento, estável em relação aos anos anteriores, segundo as previsões do Fundo, e a região no seu conjunto deve crescer em torno dos 6,0 por cento, com a inflação a manter-se em queda, para os 6,0 por cento.

Neste lote de países Moçambique registará dos mais altos índices de crescimento, 7,9 por cento, juntamente com a República Democrática do Congo e Tanzânia.

O FMI baixou esta semana as previsões de crescimento para Angola em 2006, devido a “um número ligeiramente mais baixo de poços de petróleo a entrar em produção” do que o previsto, mas no próximo ano esta deverá ser a economia mundial com a mais alta taxa de crescimento, 31 por cento.

No relatório agora divulgado, o FMI alerta para que “o cenário positivo geral na região terá de ser suportado por políticas económicas desenhadas para perservar os recentes ganhos de estabilização”, e “os bancos centrais deverão ser vigilantes na contenção das pressões inflaccionistas causadas pelos mais altos preços de petróleo”.

“O enquadramento de políticas terá de ser fortalecido para absorver de forma eficaz os mais altos níveis de recursos das receitas petrolíferas e ajuda” e “será necessário melhorar a coordenação de políticas fiscais e monetárias, alocar recursos para aumentar a podutividade e liberalizar o comércio ainda mais, para lidar com pressões nas taxas de câmbio e constrangimentos do lado da procura”, adianta.

Ainda no próximo ano, os saldos fiscais e da conta corrente na região “deverão melhorar”, segundo o FMI, graças à “força da actividade económica” nos países produtores de petróleo, mas nos restantes a situação deverá ser a inversa, salientando-se os exemplos negativos de Cabo Verde e da Guiné-Bissau.

Apesar da quebra ligeira esperada no crescimento económico da região em 2006, na ordem de 0,8 pontos percentuais, para 4,8 por cento, a África sub-saariana “demonstra um crescimento económico cada vez mais robusto”, considera o Fundo.

O recuo deste ano é atribuído à “diminuição temporária da produção de petróleo em países exportadores como a Guiné Equatorial, Chade e Nigéria”, e ainda “à moderação do crescimento da África do Sul (maior economia da região) para níveis mais sustentáveis”.

O Fundo sublinha, contudo, que são vários os riscos a este “cenário favorável”, em particular um crescimento das exportações mais lento do que o previsto, devido ao arrefecimento da economia global, a braços com mais altas taxas de juro e correcções de desequilíbrios.

Outros riscos ao crescimento económico e inflação são novos aumentos no preço do petróleo ou uma descida maior do que o esperado dos preços de matérias-primas, cuja subida tem permitido aos países não-produtores sustentar os maiores custos energéticos dos últimos anos, como é o caso de Moçambique.

Também na semana passada o FMI reduziu as previsões de crescimento para Cabo Verde, de 6,5 para 6,0 por cento em 2007 e de 7,0 para 5,5 por cento em 2006.

As outras duas economias dos Países da Língua Oficial Portuguesa, São Tomé e Príncipe e Guiné-Bissau, deverão ter ritmos mais moderados de crescimento, crescendo este ano 5,5 e 4,6 por cento, respectivamente (mais 1,0 ponto percentual do que nas previsões de Primavera). (macauhub)

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